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Rio Tinto cria coragem para alardear abandono do carvão

Thomas Biesheuvel

27/02/2019 15h29

(Bloomberg) -- A Rio Tinto é a única grande mineradora que não produz carvão -- mas parece que só agora está disposta a se gabar disso.

A segunda maior mineradora do mundo vendeu a última de suas minas de carvão no começo do ano. Na época, a empresa afirmou simplesmente que estava vendendo ativos dispensáveis, em vez de apontar a jogada como parte da estratégia mais ampla de abandonar um negócio poluente. Agora, a mensagem mudou.

"Somos atualmente a única grande empresa de mineração cujo portfólio não contém combustíveis fósseis", disse o CEO Jean-Sébastien Jacques em um comunicado sobre as mudanças climáticas.

A autopromoção da Rio Tinto surge em um momento em que as maiores empresas de petróleo e mineração enfrentam uma pressão crescente dos acionistas preocupados com o futuro dos combustíveis fósseis. Na semana passada, a Glencore, maior exportadora de carvão do mundo, fechou acordo para limitar sua produção apesar de ser uma das maiores defensoras do combustível mais poluente.

Outras concorrentes, como BHP Group e Anglo American, se posicionaram em algum ponto entre os dois extremos. As duas empresas afirmam que continuarão operando seus negócios de carvão para gerar caixa, mas ambas alegam que prefeririam destinar capital a outros projetos.

A Rio anunciou que se desfez de sua última mina de carvão em março passado com a venda da operação em Kestrel, no estado de Queensland, na Austrália, por US$ 2,25 bilhões. A transação ocorreu após a venda de outros ativos do setor de carvão para a Glencore.

"Pela primeira vez em 60 anos, deixamos de extrair combustíveis fósseis do solo", disse o novo diretor financeiro da empresa, Jakob Stausholm, nesta quarta-feira.

Mas por que a Rio Tinto esperou até agora para se vangloriar? A empresa pode ter considerado incômodo anunciar suas credenciais ecológicas quando ainda detinha participação na mina de cobre Grasberg, na Indonésia, um projeto com histórico ambiental ruim que é alvo de críticas há tempos. A Rio Tinto deixou Grasberg em dezembro.