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Rovio reformula licenciamento e vai lançar Crocs Angry Birds

Kati Pohjanpalo

18/03/2019 11h42

(Bloomberg) -- A empresa que criou Angry Birds, Rovio Entertainment, quer equilibrar os solavancos das vendas de licenciamento e transformar suas aves carrancudas em uma marca confiável e de longo prazo, começando com um segundo longa-metragem de animação em agosto.

Antes de "The Angry Birds Movie 2", a fabricante finlandesa de jogos móveis reformulou seu programa de licenciamento, estendendo acordos com produtores de mercadorias para dois ou três anos, em comparação com os contratos muito mais curtos que costumava assinar. A Rovio planeja um fluxo regular de novos conteúdos, disse Simo Hamalainen, chefe de licenciamento de marcas.

"Queremos uma atividade contínua e estável que não se concentre em um único evento", disse Hamalainen em entrevista na sede da Rovio, em Espoo, na Finlândia. "O objetivo de nosso licenciamento é tornar Angry Birds uma marca perene. Nosso plano de conteúdo atual é o mais forte que já tivemos, e ele se estende por vários anos, o que é algo novo para nós."

Para os investidores da Rovio, parece que todos os ovos estão na mesma cesta. A fabricante de jogos não conseguiu repetir o sucesso de sua marca de aves irritadas, e as ações caíram pela metade desde a abertura de capital, em 2017.

A receita que a Rovio espera do segundo filme não será tão grande quanto a do primeiro, que gerou uma receita de 36 milhões de euros (US$ 41 milhões) para a empresa em 2017, porque o modelo de produção é diferente.

Quando o novo filme, em que Peter Dinklage empresta sua voz à personagem Águia Poderosa, chegar aos cinemas, lojas em cerca de 100 países já estarão abastecidas com mercadorias como brinquedos de pelúcia, camisetas, sandálias Crocs e pirulitos Chupa Chups. Embora seja um evento de licenciamento "imenso" para a empresa, a Rovio precisa de outras oportunidades para gerar receita com Angry Birds e manter seus pássaros que não voam na cabeça das crianças e de seus pais.

A receita de licenciamento da Rovio tem oscilado fortemente. No ano passado, o estúdio gerou 30,8 milhões de euros com produtos de consumo e licenciamento de conteúdo, cerca de 11 por cento da receita total, contra 30 por cento em 2014. O foco agora é equilibrar esses solavancos.

Após o filme, a Rovio planeja oferecer aos fãs produtos comemorativos do aniversário de 10 anos e, no próximo ano, uma animação de TV com dezenas de episódios de 15 a 30 minutos.

O setor de licenciamento de marcas, o vínculo entre as indústrias de varejo e entretenimento, gera US$ 270 bilhões em receita anual de varejo e cresceu mais de 12 por cento no período de quatro anos finalizado em 2017, de acordo com a Associação Internacional de Licenciamento da Indústria de Merchandising.

Para os participantes do setor, é uma complexa teia de contratos e muitas idas e vindas sobre o design de produtos. Para a Rovio, isso envolve milhares de rodadas de aprovação apenas para os bens relacionados ao filme, disse Hamalainen.

Para reduzir a complexidade, a Rovio reformulou a maneira de licenciar sua marca, trocando e-mails e planilhas de Excel por softwares especializados a fim de reduzir o tempo de colocação de produtos no mercado. Isso também garante que produtos não aprovados ou de qualidade inferior sejam impedidos de chegar às lojas, para não prejudicar a reputação, disse Hamalainen.

"A qualidade é absolutamente fundamental para nós", disse Hamalainen. "É aí que mais temos a perder e a ganhar."