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ING avalia dobrar capital e reativar corretora no Brasil

Cristiane Lucchesi e Felipe Marques

21/03/2019 07h00

(Bloomberg) -- O ING Groep NV considera duplicar seu capital no Brasil e reativar sua corretora, atraído pelo crescente mercado de dívida local do país e pelas reformas prometidas pelo novo governo.

A ideia está no centro de uma estratégia mais ampla que prevê investimentos em vários países da América Latina, disse Willem Sutherland, que dirige as operações do banco holandês na região, em entrevista no novo escritório do ING em São Paulo.

"Há planos de crescimento", disse Sutherland. "Os países da América Latina nos quais os governos se deslocaram para a direita são mais interessantes para investir, pois têm governos fiscalmente responsáveis ??que sabem que o setor privado é mais eficiente."

O interesse estrangeiro no Brasil intensificou-se depois da eleição presidencial de outubro, que deu início ao otimismo de que reformas, incluindo uma reformulação da Previdência, poderiam ser possíveis sob o governo do novo presidente Jair Bolsonaro. Nos mercados, a demanda por investimentos com rendimento maior aumentou já que as taxas de juros se mantêm nas mínimas históricas. A emissão de títulos de dívida em moeda local no Brasil cresceu 44% no ano passado, para R$ 144,7 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O ING ocupa o 13º lugar entre os bancos estrangeiros que fazem negócios no país, com ativos totais de R$ 22,2 bilhões e capital de R$ 900 milhões, segundo o Banco Central. A empresa sediada em Amsterdã tem cerca de 110 funcionários no país.

Com escritórios de representação no México, Colômbia e Argentina, o ING está "subinvestido" na América Latina, disse Sutherland. O fortalecimento do banco corporativo e de investimento na região ajudaria o ING a diversificar as receitas e atender aos clientes europeus que fazem negócios na região, além de abrir oportunidades com as maiores empresas da América Latina.

Escândalo de compliance

A diversificação também poderia ajudar o banco a deixar para trás escândalos de compliance, seis meses depois de pagar uma multa de 775 milhões de euros como parte de um acordo com um promotor holandês que investiga questões como lavagem de dinheiro e práticas de corrupção. Essa multa foi uma das maiores já aplicadas a um banco holandês.

Potenciais obstáculos incluem a necessidade de cautela com o novo governo no México, onde o mercado ainda está em compasso de espera, disse Sutherland. "Não estamos fugindo do México, mas vamos nos concentrar no setor de energia."

Na Argentina, "o ING precisa ser cuidadoso" devido às eleições presidenciais deste ano, mas não tem planos de reduzir sua equipe, disse Sutherland.

Ele disse que o crescimento mais rápido provavelmente será na Colômbia, onde o ING abriu um escritório há cerca de 18 meses e está considerando fazer empréstimos em moeda local. A nação tem "grandes planos de investimento em infra-estrutura, já que não tem ferrovias suficientes", e o governo está mais aberto para "facilitar bancos como nós a obter acesso à moeda local", disse ele.

No Brasil, o ING já está fazendo transações de banco de investimento e empréstimos em moeda local, junto com os empréstimos mais tradicionais baseados em dólar que são contratados fora do país.

"Empresas construindo torres de telecomunicações, centros de dados - se seus contratos são em reais, eles provavelmente gostariam de financiá-los em reais", disse Sutherland, acrescentando que "esse é um espaço no qual entramos nos últimos 18 meses". "Nós fizemos muitos negócios aí."

Juntamente com as telecomunicações, outros setores prioritários incluem infraestrutura, energia, instituições financeiras, alimentos e agronegócios, cimento, papel e celulose e commodities.

"Para o Brasil decolar, basta resolver uma coisa: a reforma da Previdência", disse Sutherland. "Será um país completamente diferente. Há grandes expectativas."