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Credit Suisse eleva remuneração de CEO em 30% após recuperação

Patrick Winters e Jan-Henrik Foerster

22/03/2019 11h33

(Bloomberg) -- O Credit Suisse Group aumentou a remuneração do CEO Tidjane Thiam em cerca de 30 por cento, medida que pode reacender o debate sobre o tamanho dos pagamentos aos executivos do banco.

A remuneração de Thiam para 2018 subiu para 12,7 milhões de francos suíços (US$ 12,7 milhões) segundo o relatório de remunerações do banco. Uma grande parcela do aumento teve o objetivo de compensar Thiam por ter reduzido seus bônus de longo prazo para aplacar as objeções dos acionistas aos pacotes de remuneração generosos em meio a prejuízos.

Sem o corte na remuneração do ano passado, o aumento para 2018 teria sido de 13 por cento, informou o segundo maior banco da Suíça. O montante geral de bônus permaneceu inalterado em relação ao ano passado, em 3,2 bilhões de francos, embora muitos dos funcionários com melhor desempenho tenham recebido prêmios maiores, informou o banco.

"A diferenciação foi feita de tal forma que os funcionários de alto desempenho receberam aumentos em relação ao ano anterior na remuneração com incentivos variáveis", disse Kai Nargolwala, chefe do comitê de remunerações do conselho.

O Credit Suisse registrou três prejuízos anuais consecutivos antes de voltar a dar lucro no ano passado após um extenso programa de reestruturação liderado por Thiam. O executivo direcionou o banco à gestão de riqueza, cortou custos e levantou mais de 10 bilhões de francos suíços em novas ações para financiar a reestruturação.

Fim da reformulação

Apesar disso, a reformulação terminou sem muito sucesso porque os prejuízos contínuos da unidade de trading do banco derrubaram o preço das ações da empresa. Os analistas continuam desafiando o ex-executivo do setor de seguros a melhorar o desempenho da unidade.

O aumento da remuneração pode acabar reacendendo o debate a respeito do tamanho dos pagamentos para os executivos do banco suíço, que havia perdido força depois que o conselho executivo realizou um corte salarial voluntário no ano passado diante das críticas dos acionistas. Sergio Ermotti, que lidera o maior concorrente do banco, o UBS Group, recebeu 14,1 milhões de francos (US$ 14 milhões) no ano passado, contra 14,2 milhões de francos em 2017.

O Credit Suisse caiu mais de 50 por cento sob o comando de Thiam, um declínio maior do que o de qualquer outro grande concorrente europeu com exceção do Deutsche Bank.

O negócio dos mercados globais registrou um prejuízo maior do que o esperado de 193 milhões de francos suíços (US$ 191 milhões) no quarto trimestre, compensando resultados dos setores de gestão de riqueza e de banco de investimento que ultrapassaram as estimativas. Thiam, ex-executivo de seguros, é pressionado a melhorar o desempenho da unidade que negocia títulos, ações e derivativos.

O Credit Suisse introduziu mudanças em sua política de remuneração no ano passado após reações dos acionistas. O banco abandonou as métricas de capital para seus prêmios de curto prazo, aumentou a importância das metas de custo e introduziu o retorno sobre o capital tangível como medida para incentivos de longo prazo.

Repórteres da matéria original: Patrick Winters em Zurique, pwinters3@bloomberg.net;Jan-Henrik Foerster em Zurich, jforster20@bloomberg.net