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Bancos e aplicativos travam disputa por uso de dados nos EUA

Jenny Surane

26/03/2019 15h16

(Bloomberg) -- O aplicativo estava se tornando rapidamente um objeto de culto entre os consumidores americanos -- e também uma maldição para os bancos.

Em pouco mais de um ano, a startup Cushion, de Paul Kesserwani, ajudou os usuários a receberem quase US$ 1 milhão em reembolsos de taxas, entrando nas contas dos usuários e contestando cobranças com um chatbot de inteligência artificial chamado Fee Fighter. O aplicativo apresenta um robô de desenho animado que usa um cinturão preto, garantindo aos usuários "Você descansa, e eu trabalho". O aplicativo também faz lobby para reduzir as taxas de juros dos cartões de crédito.

Por isso, Kesserwani desconfiou quando um dos maiores credores dos EUA ligou no fim do ano passado pedindo uma lista dos endereços de IP da startup. O banco afirmou que queria ter certeza que os computadores da Cushion não estavam marcados como suspeitos. Semanas depois de ele ter enviado algumas das informações, o banco ligou novamente para avisar que poderia impedir os servidores da Cushion de acessarem os dados dos clientes. Mas Kesserwani não estava disposto a desistir.

"Um banco com milhões de clientes não consegue policiar a internet", disse ele. "Empresas com tecnologia sofisticada como a nossa não terão problemas em contornar nenhuma tentativa de bloqueio." Ele fez essa declaração com a condição de que o banco não fosse identificado, para não exacerbar a situação.

Disputa

Tensões de longa data entre o setor financeiro e as startups do Vale do Silício estão eclodindo nos bastidores, em uma batalha pela enorme quantidade de dados valiosos guardados nas contas bancárias dos americanos. Nos últimos meses, grandes bancos, entre eles o JPMorgan Chase & Co. e o Capital One Financial, vêm liderando uma nova campanha no setor para controlar a forma como terceiros exploram informações confidenciais de clientes. Os credores afirmam que a maior prioridade deles é proteger os consumidores.

No entanto, executivos de vários empreendimentos do Vale do Silício dizem que foram ameaçados pelos bancos com listas negras se não concordassem com os novos termos estritos. Eles afirmam que consumidores estão enfrentando limitações para usarem seus próprios dados para gerenciar melhor o dinheiro.

Consequências

A disputa acarreta consequências para milhares de startups da chamada fintech (tecnologia financeira) que pretendem causar uma disrupção em partes do mundo financeiro tradicional. A concorrência é feroz. Existem quase 2.300 aplicativos de fintech nos EUA que oferecem ajuda para orçamentos, investimentos e pagamentos, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Venture Scanner. Muitos dependem do acesso aos dados bancários dos usuários. Um bloqueio pode matar esses negócios.

A solução proposta por um número cada vez maior de bancos é usar um gateway especial -- conhecido como API -- que restringe a quantidade e a frequência com que os aplicativos podem usar informações, além de estabelecer limites contratuais sobre o que esses aplicativos podem fazer com essas informações posteriormente.

"Recomendamos a todos os nossos clientes que não compartilhem credenciais", disse Imran Haider, diretor do canal de API do Wells Fargo & Co., conhecido como Gateway. "Se você compartilha suas credenciais com outro fornecedor, é responsabilidade desse fornecedor proteger e manter essas credenciais. Esse não é um modelo viável, por isso preferimos usar APIs para transações de compartilhamento de dados."