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Escassez de minério começa a afetar estoques de portos da China

Krystal Chia

16/04/2019 08h05

(Bloomberg) -- Os estoques de minério de ferro devem diminuir diante da escassez no mercado transoceânico, que começa a afetar as operações de mineração no Brasil e na Austrália, potencialmente favorecendo novas altas de preços.

"Parece que as interrupções no fornecimento, vistas no começo do ano, estão finalmente sendo sentidas", disse Daniel Hynes, analista do Australia & New Zealand Banking Group, em e-mail depois da notícia de que os portos da China registraram a maior queda semanal no volume de estoques desde 2015. "Nossa estimativa é de que os estoques continuem a cair."

Embora os preços tenham mostrado alta volatilidade desde o rompimento de uma barragem da Vale em janeiro e por causa de paralisações em minas da Austrália, afetadas por ciclones, sinais claros de escassez no mercado surgiram apenas nas últimas semanas. Dados divulgados no início deste mês mostraram que as exportações do Brasil despencaram em março, e o rastreamento de cargueiros tem sinalizado continuada fraqueza. A defasagem no mercado físico reflete a redução dos estoques de fornecedores e o tempo de viagem na passagem Brasil-China.

"Dado o tempo que o Capes leva para ir do Brasil à China, cerca de 50 dias, não nos surpreende que a escassez esteja finalmente começando a aparecer", disse Jeremy Sussman, diretor-gerente de metais e mineração da Clarksons Platou Securities. "As exportações brasileiras começaram a se desacelerar apenas no mês passado."

O preço de referência do minério no mercado à vista atingiu US$ 95,90 na sexta-feira, o maior nível desde julho de 2014, segundo a Mysteel.com. Desde fevereiro, a Clarksons Platou tem apostado em uma previsão de US$ 100, alvo também escolhido pelo Citigroup.

Os estoques dos portos chineses estão entre os principais indicadores do nível de abastecimento da cadeia de fornecedores que conectam mineradoras e usinas no maior produtor de aço do mundo. Depois de atingir o maior nível desde setembro deste mês, os estoques agora mostram queda.

Os estoques caíram 3,4%, para 143,9 milhões de toneladas na semana passada, de acordo com a Shangai Steelhome E-Commerce. Enquanto os volumes de minério brasileiro estão no menor nível desde 8 de março, os estoques da Austrália se encontram no menor patamar desde 2017.

O Barclays projeta que as importações chinesas caiam ainda mais depois da redução dos fluxos no primeiro trimestre. "Todos os olhos estão no nível futuro, já que entramos no momento em que as interrupções do Brasil começarão a fazer efeito", disse o analista Ian Littlewood. "As exportações brasileiras resistiram bem em fevereiro, mas entraram em colapso em março e, em combinação com a interrupção causada por um ciclone tropical na Austrália, prevemos que as importações chinesas sejam pressionadas em abril e maio."

Na terça-feira, a Rio Tinto alertou que as paralisações podem se estender até o primeiro semestre. No primeiro trimestre, os carregamentos da mineradora caíram para o menor nível em cinco anos. A estimativa anual da Rio Tinto foi reduzida para 333 a 343 milhões de toneladas, comparada a uma previsão anterior de 338 a 350 milhões. Em 2018, os embarques somaram 338,2 milhões de toneladas.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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