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Produtores da Tailândia trocam açúcar pela mandioca

Shruti Date Singh e Siraphob Thanthong-Knight

24/05/2019 13h16

(Bloomberg) -- Com o excesso de açúcar no mercado global pressionando os preços, a mandioca está em alta demanda entre produtores na Tailândia.

Produtores de cana-de-açúcar tailandeses como Malisa Wipadthum estão atentos aos sinais de mudança do mercado. Os contratos futuros do açúcar em Nova York são negociados perto do menor nível em sete meses, e as cotações valem a metade dos preços há dois anos e meio. Ao mesmo tempo, os preços da mandioca estão próximos de níveis recordes, segundo a INTL FCStone.

"Os preços da cana estão muito ruins, então estamos trocando pela mandioca", disse Malisa, que comanda o plantio com o marido Surachai, na província de Khon Kaen, nordeste da Tailândia, enquanto colhia seu último lote de cana. "Podemos ganhar mais com a mandioca."

O casal plantou cana-de-açúcar em cerca de 6,4 hectares na temporada 2018-2019 e, na próxima safra, planeja usar pelo menos metade dessa área para cultivar mandioca. A Tailândia, segundo maior exportador de açúcar do mundo, deve aumentar a área plantada de mandioca em 4,7% para 1,34 milhão de hectares, segundo estimativas do Escritório de Economia Agrícola da Tailândia.

A região nordeste, onde fica a plantação do casal, deve registrar o maior crescimento de área cultivada com mandioca, de 5,8% em 2019, de acordo com o escritório de economia agrícola. A estimativa é que a produção de mandioca aumente 7,8% em 2019, para 30 milhões de toneladas.

A redução de hectares de cana-de-açúcar na Tailândia pode ajudar a reverter os seguidos superávits do mercado de açúcar e levar a um déficit anual em 2020. O país exporta um volume considerável para a China, bem como para outros vizinhos do Sudeste Asiático e, como a Índia, registrou um salto na produção no ano passado.

A safra de cana-de-açúcar da Tailândia deve cair para 122 milhões de toneladas em relação aos 131 milhões na safra 2018-2019, reduzindo a produção em cerca de um milhão de toneladas de açúcar, segundo John Stansfield, trader do Group Sopex. A empresa prevê déficit global de açúcar de 3,4 milhões de toneladas na temporada 2019-2020.

Repórteres da matéria original: Shruti Date Singh em N York, ssingh28@bloomberg.net;Siraphob Thanthong-Knight em Bangcoc, rthanthongkn@bloomberg.net

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