PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Votorantim mira privatizações em nova fase de expansão

Gerson Freitas Jr. e Felipe Marques

16/07/2019 15h01

(Bloomberg) -- O grupo Votorantim está de olho nos ativos de energia e infraestrutura que podem ser colocados à venda pelos governos federal e estaduais.

Com negócios que vão da produção de cimento à de suco de laranja, o conglomerado adotou uma estratégia de expansão mais cautelosa após sofrer os efeitos da crise que assolou a economia brasileira nos últimos anos, segundo o presidente-executivo do grupo, João Miranda.

Uma das últimas empresas brasileiras com grau de investimento, a Votorantim pode fazer parcerias para analisar as oportunidades que virão com as privatizações. "Há muitos bons ativos, de todos os tamanhos", disse o executivo, em entrevista.

O grupo Votorantim, com cerca de US$ 3 bilhões em títulos em circulação, conquistou investidores do mercado de dívida corporativa após uma forte redução em seus níveis de alavancagem nos últimos dois anos.

Os bonds da Votorantim Cimentos com vencimento em 2041, no valor de US$ 610 milhões, geraram um retorno de 21% neste ano. Trata-se do maior ganho entre títulos emitidos por empresas do setor industrial nos mercados emergentes. O rendimento exigido pelos investidores para carregar o papel atingiu 5,6% no início deste mês -- o menor patamar desde a emissão, em 2011 --, ante mais de 7% no fim do ano passado.

As privatizações são um elemento central na estratégia do governo do presidente Jair Bolsonaro para atrair investimentos e reabastecer os cofres públicos. Nos últimos meses, foram leiloadas concessões para a operação de aeroportos e terminais portuários, além de um trecho da Ferrovia Norte-Sul.

Trata-se de uma oportunidade para a Votorantim. O grupo, fundado em 1918 como uma indústria têxtil, tem buscado ativos com características mais próximas à de investimentos em renda fixa a fim de reduzir sua exposição às oscilações nos preços das commodities e aos altos e baixos da economia brasileira.

Um exemplo de sua nova estratégia, a Votorantim concluiu, no começo do ano, a venda de uma participação no controle da gigante de celulose Fibria. Ao mesmo tempo, adquiriu a Cesp, concessionária de energia privatizada pelo governo do estado de São Paulo, em uma parceria com o Canada Pension Plan Investment Board, o maior fundo de pensão do Canadá.

A Votorantim também buscar oportunidades, diretamente ou por meio de suas subsidiárias, em países desenvolvidos, incluindo os EUA e o Canadá, com o objetivo de elevar a fatia da receita em moeda forte, como uma proteção contra a volatilidade do real, disse Miranda.

Apenas sete empresas brasileiras ostentam o grau de investimento por pelo menos duas das agências de classificação de risco, menos da metade do número observado há apenas três anos.

--Com a colaboração de Fabiana Batista, Julia Leite, Aline Oyamada e Tatiana Freitas.

Repórteres da matéria original: Gerson Freitas Jr. em São Paulo, gfreitasjr@bloomberg.net;Felipe Marques em Sao Paulo, fmarques10@bloomberg.net