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Personagens virtuais são agora maior atração do YouTube no Japão

Pavel Alpeyev e Yuki Furukawa

18/09/2019 10h07

(Bloomberg) -- Kizuna Ai, a youtuber mais popular do Japão, é anatomicamente exagerada e uma eterna adolescente de meia-calça com babados e laço rosa no cabelo. Kizuna Ai também é uma personagem totalmente virtual, que ganha vida com as ações e voz de uma atriz invisível.

No país dos animes e do futurista "A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell", milhões agora seguem Kizuna Ai on-line, e esse sucesso gerou milhares de imitações e uma indústria caseira com alvo nos chamados youtubers virtuais ou VTubers. Desafiando a marca dos streamers masculinos e jovens de games do Ocidente, como PewDiePie e Ninja, o Japão inventou uma nova classe de estrela de streaming composta por partes iguais de avatar digital e anime interativo.

"O que separa os VTubers dos personagens normais de animes é que você pode acreditar que eles realmente existem", disse Takeshi Osaka, fundador da Activ8, a empresa de Tóquio que criou Kizuna Ai. "Essa presença é uma parte importante do que os torna tão atraentes."

Evitando o processo trabalhoso e demorado de animação tradicional - inadequado para o mundo acelerado do conteúdo do YouTube -, a Activ8 usa equipamento de captura de movimento no nível de Hollywood para produzir videoclipes, esquetes e transmissões de jogos quase todos os dias para mais de 4 milhões de assinantes.

A tecnologia permite que Kizuna possa interagir com os fãs em tempo real em exposições, dar entrevistas ao vivo na TV e se apresentar em shows. É uma influenciadora virtual que pode patrocinar eventos do mundo real.

Embora a Activ8 não divulgue detalhes técnicos, seu produto é uma combinação quase perfeita de movimentos realistas, gestos e expressões faciais, os quais contribuem para reforçar a credibilidade.

"A inovação aqui é como eles combinam computação gráfica 3D em tempo real, sites de captura de movimento e streaming de vídeo como o YouTube para criar interações bidirecionais com o público", disse Eiji Araki, vice-presidente sênior da Gree, responsável por uma divisão especializada em VTubers.

Kizuna Ai estreou no YouTube em dezembro de 2016 e foi responsável por cunhar o termo "VTuber". A tecnologia que abriu as portas para seus muitos imitadores chegou no mesmo ano, na forma dos primeiros óculos de realidade virtual comerciais. Projetados para rastreamento preciso da cabeça e mãos, os kits de realidade virtual Oculus, do Facebook, e Vive, da HTC, acabaram se transformando em plataformas perfeitas de animação para aspirantes a VTuber com baixo orçamento. Com mecanismos de animação gratuitos e modelos 3D de empresas como a Unity Technologies, qualquer um poderia criar um estúdio virtual de marionetes barato na sala de estar.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Pavel Alpeyev em Tóquio, palpeyev@bloomberg.net;Yuki Furukawa em Tóquio, yfurukawa13@bloomberg.net

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