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China quer mais conversas antes de assinar acordo com Trump

Bloomberg News

14/10/2019 12h09Atualizada em 14/10/2019 13h13

(Bloomberg) — A China quer realizar mais reuniões este mês para finalizar os detalhes da "fase 1" do acordo comercial proposto por Donald Trump antes da assinatura do líder chinês Xi Jinping, segundo pessoas a par do assunto.

Pequim pode enviar uma delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, principal negociador da China, para finalizar um acordo por escrito que poderia ser assinado pelos presidentes na cúpula de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico, que será realizada no próximo mês no Chile, disse uma das pessoas. Outra pessoa afirmou que a China também quer que Trump desista de um aumento tarifário planejado em dezembro, além das tarifas programadas para esta semana, algo que o governo ainda não endossou. As pessoas não quiseram ser identificadas porque o assunto é confidencial.

Os EUA e a China emergiram das negociações da semana passada com diferentes opiniões sobre o que está incluído no acordo e o quão perto estão de assinar um documento. Trump disse que "chegamos a um acordo que depende de ser escrito" e indicou que ainda pode haver várias semanas a mais de negociação. O Ministério do Comércio da China apenas afirmou que "os dois lados conseguiram progressos substanciais" e "concordaram em trabalhar juntos na direção de um acordo final". A agência de notícias estatal Xinhua também não mencionou um acordo.

Hu Xijin, editor-chefe do Global Times, disse em um tuíte que "as negociações comerciais EUA-China avançaram na semana passada, e os dois lados têm forte vontade de chegar a um acordo final." O tabloide chinês é dirigido pelo People's Daily, o principal jornal do Partido Comunista.

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, em entrevista na segunda-feira à rede CNBC, disse que sua expectativa é que as autoridades trabalhem nas próximas semanas para finalizar a primeira etapa que possibilite a assinatura. Se isso não for possível, as novas tarifas de importação dos EUA sobre produtos chineses serão impostas a partir de 15 de dezembro, disse.

O Ministério do Comércio da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as novas negociações. Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, reiterou na segunda-feira que ambos os lados avançaram e disse que espera que "os EUA trabalhem com a China" para que cheguem um acordo.

"Os EUA devem ceder em sua ameaça de tarifas em dezembro, se quiserem assinar um acordo durante a cúpula da APEC, caso contrário, seria um tratado humilhante para a China", disse Huo Jianguo, ex-funcionário do Ministério do Comércio da China, atualmente vice-presidente da Sociedade Chinesa para Estudos da Organização Mundial do Comércio, que não descarta outro revés na assinatura de um acordo.

—Com a colaboração de Dandan Li.

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