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Chevron eleva produção na Venezuela enquanto EUA estudam sanções

Fabiola Zerpa, Peter Millard e Ben Bartenstein

11/02/2020 11h21

(Bloomberg) -- A Chevron elevou a produção de um projeto petrolífero importante na Venezuela para o maior nível em quase um ano, oferecendo um lembrete espinhoso de como as sanções dos Estados Unidos não estão conseguindo derrubar o regime de Nicolás Maduro.

Os EUA avaliam sanções mais duras que poderiam atingir a petroleira russa Rosneft e potencialmente afetar a isenção da Chevron quando as tensões entre os dois países aumentam novamente. Maduro, enquanto isso, considera dar a produtoras estrangeiras o controle operacional de alguns campos para trazer mais recursos e, talvez, instar outras petroleiras dos EUA a fazer lobby por seu próprio acesso às enormes reservas de petróleo da Venezuela.

"O objetivo provável é torná-lo atraente ao ponto de as empresas começarem a pressionar mais nos EUA", disse Raul Gallegos, diretor da Control Risks, uma consultoria internacional com sede em Bogotá.

A isenção da Chevron, que expira em abril, beneficiou os dois países, mitigando o colapso da produção da Venezuela e dificultando uma maior expansão da Rússia e da China. Ao mesmo tempo, permite à Chevron permanecer como a única petroleira norte-americana em um país com estimados 302,8 bilhões de barris de reservas de petróleo e uma estatal em crise, cuja produção caiu 74% desde 2009, para cerca de 792.000 barris por dia, de acordo com o relatório mais recente da Opep.

Enquanto isso, outras petroleiras dos EUA dizem que estão bloqueadas. Em entrevista, Ali Rahman, diretor da Erepla Services, de Delaware, disse que "as sanções prejudicam os interesses comerciais norte-americanos - com exceção das poucas licenças concedidas - mais do que de qualquer outro."

Em 2018, a Erepla fechou um contrato potencialmente lucrativo com a estatal Petróleos de Venezuela para fornecer serviços petrolíferos e de marketing para três campos. Logo depois, o governo Donald Trump intensificou as sanções, suspendendo as operações. A empresa buscou uma isenção semelhante à da Chevron, disse Rahman, mas nunca conseguiu aprovação.

A Chevron ajudou a restaurar a produção da Petropiar, operada em conjunto com a PDVSA, de acordo com pessoas a par da operação. A Petropiar transforma o óleo tipo alcatrão da área em petróleo Hamaca para ser refinado e exportado.

Depois de ficar fechado em períodos de 2019, o local produz cerca de 130.000 barris por dia de petróleo, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. No papel, a PDVSA controla a Petropiar como acionista majoritária, mas a Chevron manteve o petróleo fluindo e ajudou a reparar as instalações industriais necessárias para refinar o alcatrão em petróleo comercializável, disseram as pessoas.

Ray Fohr, porta-voz da Chevron, disse que a petrolífera está focada em seus "negócios básicos" na Venezuela e está em total conformidade com a lei. Ele disse que a PDVSA dirige os processos de trabalho na área onde a Petropiar está localizada, "incluindo decisões tomadas em relação ao uso de petróleo leve, paradas e reinicializações" da unidade.

No geral, a Chevron registrou declínio da produção em 2019 em comparação com 2018, disse. "Se a Chevron for obrigada a deixar a Venezuela", escreveu, "empresas não americanas preencherão o vazio e a produção de petróleo continuará." Ele não quis comentar os detalhes da Petropiar.

--Com a colaboração de Lucia Kassai.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Fabiola Zerpa em Caracas Office, fzerpa@bloomberg.net;Peter Millard em Rio De Janeiro, pmillard1@bloomberg.net;Ben Bartenstein em Lima, bbartenstei3@bloomberg.net