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Clubes privados dos EUA cobram cotas mesmo fechados em pandemia

Hannah Elliott

30/04/2020 15h57

(Bloomberg) -- Se perguntarmos a vários sócios do Soho House como se sentem sobre a abordagem do clube para a pandemia de coronavírus, receberemos uma enxurrada de opiniões.

"O Soho House acha que pode cobrar cotas de pessoas durante esta pandemia? Isso é loucura", disse a diretora da LNA Clothing, Ashley Glasson. "Meu dia já estava sendo ruim e isso me deixou ainda mais irritada."

Sócia do clube de Los Angeles há muito tempo, ela optou imediatamente por congelar seu plano, em vez de pagar US$ 3,2 mil em cotas anuais depois que descobriu que o clube, fechado por causa do Covid-19, estava oferecendo apenas crédito pelos meses perdidos, em vez de suspender a cobrança.

Sean Fitzgerald, um residente de Chicago, é mais otimista. "Acho que a Soho House está fazendo o melhor que pode", diz Fitzgerald, que é sócio há cinco anos. "É verdade que sinto falta do clube, mas fiquei empolgado em usar meu cheque de estímulo para gastar com produtos de spa."

Em declaração por e-mail, o Soho House explicou que os membros recebem o equivalente proporcional às suas cotas anuais, dependendo de quanto tempo os clubes estão fechados; créditos para março e abril já foram aplicados. Esses créditos podem ser gastos em produtos ou economizados para uso em quartos ou comida e bebidas quando as instalações forem reabertas.

Para os clubes, é uma corda bamba, pois o distanciamento social desafia o setor que antes prosperava. Assim como muitos restaurantes e bares, devem continuar captando dinheiro suficiente todos os meses para cobrir impostos de propriedade e outras despesas sem frustrar e potencialmente alienar seu bem mais precioso: os sócios. (E certamente não querem uma ação coletiva.)

Grande negócio

Somente os EUA possuem aproximadamente 3,5 mil clubes privados com receita de US$ 1 milhão ou mais, de acordo com o Club Benchmarking, um serviço de dados. Os clubes americanos contribuem com mais de US$ 3,75 bilhões em impostos, atendem a um total de mais de 2 milhões de associados e injetam US$ 21,5 bilhões na economia a cada ano, de acordo com a Associação Nacional de Clubes.

Um clube médio obtém 43% da receita com cotas de associados e 27% com vendas de alimentos e bebidas, de acordo com o Club Benchmarking. As despesas mensais podem facilmente chegar a seis dígitos, mesmo durante uma pandemia. As cotas de associados contribuem com cerca de 70% dos custos operacionais fixos, incluindo a folha de pagamento que cumulativamente emprega cerca de 450 mil funcionários de clubes em todo o país.

"Na [recessão de] 2008 e 2009, os clubes eliminaram mensalidades ou taxas de adesão", diz Henry Wallmeyer, presidente e diretor-presidente da NCA. E foi um desastre. "Aprendemos com essa lição e estamos incentivando os clubes a não fazer isso desta vez."

©2020 Bloomberg L.P.

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