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Bruno Funchal assume Tesouro para tocar agenda pós-pandemia

Martha Beck

15/06/2020 17h02

(Bloomberg) -- O ministro da Economia, Paulo Guedes, escolheu Bruno Funchal para comandar o Tesouro Nacional no lugar de Mansueto Almeida, que deixará o cargo no final de julho. Atual diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda, Funchal caiu nas graças de Guedes devido a seu bom desempenho como secretário de Fazenda do Espírito Santo, um dos poucos estados brasileiros com as contas em dia.

Em nota divulgada nesta segunda-feira pela assessoria de imprensa, o Ministério da Economia destacou que o Espírito Santo foi o único estado a receber nota A do Tesouro quando Funchal comandava as finanças estaduais.

Funchal assume o cargo em um momento delicado para a equipe econômica, de acordo com três pessoas familiarizadas com a situação. Sob pressão, Guedes tem reclamado que suas medidas para enfrentar a crise durante a pandemia do novo coronavírus não recebem o crédito adequado e chega a culpar o trabalho de sua equipe pelas deficiências, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque as discussões são privadas. O Ministério da Economia não quis comentar.

Mansueto disse em entrevista que vai realizar uma transição de dois meses com seu sucessor. Seu substituto vai participar das reuniões reservadas do Tesouro e das coletivas de divulgação do relatório do Tesouro Nacional nos meses de junho e julho. Funchal assume o cargo definitivamente em 31 de julho.

Segundo Mansueto, sua saída do cargo será suave porque o Tesouro passou por um fortalecimento institucional a partir de 2015. "O Tesouro não vai mudar seus pareceres técnicos e nem o posicionamento de sua equipe, que é excelente", disse Mansueto, acrescentando que a secretaria continuará se posicionamento contra aumentos de despesas sem previsão de receitas e trabalhando pelo ajuste fiscal. Ele vai cumprir quarentena e seguir para o setor privado.

Segundo Mansueto, o déficit fiscal do setor público em 2020 está estimado em R$ 700 bilhões, mas pode facilmente passar de R$ 800 bilhões com a renovação de alguns programas, outras despesas que o governo tenha que fazer por causa dos impactos da pandemia e frustrações de receitas.

Funchal, segundo ele, é uma escolha muito boa porque já tem conhecimento de perto do trabalho do Tesouro Nacional e conhece o corpo técnico. Ao ser perguntado sobre que conselho daria a seu sucessor afirmou: "Tem que ter calma, paciência e mostrar de forma clara para a sociedade a importância da agenda de reformas".

Pós-pandemia

Mansueto explicou que decidiu sair do governo neste momento porque a equipe econômica vai começar a discutir no segundo semestre a agenda pós-pandemia e a condução desse trabalho deve ser feita por quem vai ficar até o final do governo. "Eu poderia ficar até o final do ano no Tesouro, mas não faria sentido, pois isso tem que ser feito por quem vai ficar até o final do mandato", disse.

"A saída de Mansueto é uma grande perda para o governo Bolsonaro e para a equipe econômica. O timing da saída também é inoportuno devido à deterioração fiscal e da necessidade de reformas que ancorem a dinâmica da dívida pública", disse Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs em relatório divulgado nesta segunda-feira.

No entanto, o documento ressalta que, pelo lado positivo, "a saída provavelmente não é um sinal de visões divergentes dentro da equipe econômica e, como tal, provavelmente não levará a uma grande mudança na orientação das políticas macro".

©2020 Bloomberg L.P.