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Bancos centrais cortam ofertas de dólar em sinal de confiança

Piotr Skolimowski e James Hirai

19/06/2020 14h44

(Bloomberg) -- Os principais bancos centrais da Europa e da Ásia têm reduzido as ofertas de dólares aos bancos, em um sinal de confiança de que o impacto da pandemia nos mercados está diminuindo, mesmo com a persistência da crise econômica.

O Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco do Japão e Banco Nacional Suíço disseram que reduzirão a frequência das operações de sete dias em dólar, atualmente diárias, para três vezes por semana a partir de 1º de julho. As operações com vencimento de 84 dias continuarão sendo oferecidas semanalmente, disseram.

O dólar é o principal pilar do comércio internacional e bancos centrais intensificaram medidas para fornecer a moeda americana a juros baratos quando a crise econômica parecia se transformar em um colapso financeiro no estilo de 2008. O Federal Reserve reduziu os custos e estendeu a duração das linhas de swap existentes com os principais bancos centrais como parte de seu pacote de flexibilização em março. Desde então, enormes injeções de liquidez ajudaram a aliviar as tensões, e as operações de sete dias em dólar do BCE, BOE e BNS têm sido quase nulas desde meados de maio.

"Isso mostra que o aperto do dólar que observamos em março e abril já não existe mais", disse Piet Christiansen, estrategista-chefe do Danske Bank, em Copenhague.

A menor demanda pelo programa de linhas de swap em dólar neste mês também ajudou a observar a rápida expansão do balanço do Fed. Os ativos caíram em US$ 74,2 bilhões na semana até 17 de junho, a primeira queda desde fevereiro. No entanto, as fortes compras de ativos e linhas de liquidez do Fed elevaram o balanço patrimonial para US$ 7 trilhões.

Mesmo com a melhora das condições do mercado, os bancos centrais disseram estar prontos para ajustar a provisão de liquidez em dólar se necessário.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, alertou líderes da União Europeia na sexta-feira que a recente estabilidade do mercado no zona do euro deve quase tanto ao fundo de recuperação proposto de 750 bilhões de euros (US$ 840 bilhões) quanto ao apoio monetário; portanto, é fundamental que o plano seja aprovado o mais rápido possível.

No Reino Unido, o BOE citou o estresse reduzido nos mercados como razão para desacelerar seu programa de compra de títulos na quinta-feira - uma decisão que decepcionou investidores e reforçou a perspectiva de que os preços dos ativos ficarão mais vulneráveis a qualquer mudança de clima nas próximas semanas.

©2020 Bloomberg L.P.