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Argentina fecha pré-acordo com credores italianos por US$ 900 milhões

  • Victoria Egurza/Telam/Xinhua

Buenos Aires, 2 fev (EFE).- O governo da Argentina anunciou nesta terça-feira (2) que fechou um pré-acordo no valor de US$ 900 milhões para saldar as dívidas pendentes com 50 mil credores italianos, correspondente a bônus argentinos em moratória.

Esse valor "representa aproximadamente 15% da dívida que ficou fora dos acordos", declarou em entrevista coletiva o ministro da Fazenda e Finanças, Alfonso Prat-Gay.

Ele detalhou que, no acordo alcançado com os credores italianos, o governo argentino reconheceu o capital endividado "e juros prudentes", o terceiro ponto dos estabelecido pelo Ciadi, o tribunal do Banco Mundial para resolver controvérsias entre governos e investidores privados.

O titular da Fazenda sustentou que o pré-acordo permite à Argentina "ir normalizando as relações financeiras internacionais".

Para ele, é também um passo adiante para "fechar a lacuna com os querelantes mais duros", ou seja, com os fundos especulativos liderados pelo magnata americano Paul Singer, que contam com uma sentença favorável na justiça americana para a cobrança integral de bônus argentinos em moratória desde 2001, mais os juros.

Estes fundos rejeitaram as reestruturações de dívida oferecidas pela Argentina em 2005 e 2010, durante as presidências de Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015), como fizeram os outros 93% de credores desses títulos.

Eles também recusaram as ofertas posteriores feitas por Cristina para tentar destravar o conflito.

Novo governo

Após a mudança de governo, o Executivo liderado pelo conservador Mauricio Macri retomou mês passado as conversas e apresentará uma nova proposta esta semana, que contempla a remissão da dívida e dos juros punitivos que pesam sobre a dívida argentina.

"Para um acordo é preciso a vontade das duas partes. O presidente Macri quer chegar a um acordo o mais rápido possível e o mais justo possível. Tivemos várias reuniões com o mediador. A dificuldade que temos agora é que há alguns credores que querem cobrar uma taxa de juros que sob qualquer critério de justiça é inaceitável", explicou Prat-Gay.

"Por isso o acordo com os credores italianos é muito importante, porque os juros que vamos pagar é um terço do que a sentença determinava", prosseguiu, defendendo a posição da Argentina como racional e justa.

'Moratório seletiva'

Segundo o governo argentino, o total da dívida reivindicada no julgamento era inicialmente de US$ 2,943 bilhões, mas com a aplicação das últimas decisões judiciais do juiz americano Thomas Griesa esse valor passou para US$ 9,882 bilhões.

Como parte da aplicação da sentença de Griesa, de meados de 2014, estão congelados os pagamentos da Argentina aos credores que aceitaram as reestruturações da dívida, que só será permitida após o país regularizar sua situação com os fundos litigantes.

Por esta razão, a Argentina ingressou em uma "moratória seletiva", que atualmente constitui seu principal impedimento para ter acesso aos mercados internacionais de crédito.

"Esta é a herança que mais nos impede de avançar, por isso queremos resolver. Para isso precisamos da boa predisposição do outro lado, esperemos que nos próximos dias a tenhamos", finalizou Prat-Gay.

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