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S&P retira nota máxima do Reino Unido após decisão por saída da UE

Londres, 27 jun (EFE).- A agência de classificação de riscos Standard & Poor's (S&P) retirou nesta segunda-feira (27) do Reino Unido a nota máxima de sua escala, "AAA", e a rebaixou para "AA", com perspectiva negativa. O motivo foi a incerteza gerada pela vitória, em referendo realizado na última quinta (23), da opção de o país deixar a União Europeia (UE), que ficou conhecida como "Brexit".

"Em nossa opinião, este resultado (da consulta popular) é um evento fundamental que levará a um marco político menos previsível, estável e efetivo no Reino Unido", afirmou a agência em comunicado.

A perspectiva negativa reflete o risco futuro das "perspectivas econômicas" britânicas, assim como "o papel da libra esterlina como moeda de reserva", acrescentou a S&P.

 

Os analistas da agência consideram que a saída do Reino Unido do bloco comunitário pode deteriorar as condições de financiamento externo para o Reino Unido, que tem uma necessidade "extremamente elevada" desse financiamento.

Os efeitos do referendo da última quinta-feira afetarão o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) britânico, assim como seu balanço fiscal e o equilíbrio entre suas exportações e importações, segundo a S&P.

A agência ressaltou, além disso, os "problemas constitucionais para o conjunto do país" que pode provocar o fato de que na Escócia e Irlanda do Norte tenha ganhado no referendo o voto pelo "Bremain", ou permanencia na União Europeia (UE).

"O resultado do 'Brexit' pode levar a uma deterioração do desempenho econômico do Reino Unido, incluindo o de seu amplo setor de serviços financeiros, que representa a maior contribuição para os empregos e as contas públicas", disse a S&P.

"Poderia também iniciar uma crise constitucional, se levar a um segundo referendo sobre a independência da Escócia", acrescenta a nota.

Confiança e investimento

Para os analistas da agência, a "falta de clareza nesses assuntos chave" vai "minar a confiança e o investimento" no Reino Unido.

A libra esterlina, que na sexta-feira caiu mais de 8% após o anúncio do resultado da consulta, voltou a cair hoje em relação ao dólar, desta vez 2,98%.

Na sexta-feira, no primeiro pregão após o referendo, o FTSE-100, principal índice da Bolsa de Londres, caiu 3,15%, e hoje recuou 2,55%.

Para tentar transmitir uma mensagem de confiança, o ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, se pronunciou hoje pela primeira vez após a votação, para garantir que o Reino Unido está em uma posição de "força" para enfrentar os desafios do "Brexit".

Para o ministro, as medidas de ajuste tomadas pelo governo nos últimos anos permitiram que as contas britânicas sejam "fortes" e "estáveis".

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