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Projeto argentino de viagens inclusivas recupera valores e promove integração

Cris Tercero.

Buenos Aires, 6 jul (EFE).- Com o Rio da Prata como nivelador e único vínculo, um grupo de pessoas enfrenta o desafio de participar das "viagens inclusivas" da Fundação Escola Goleta do Bicentenário, um projeto educativo que visa "integrar" pessoas com desafios especiais e "recuperar valores" esquecidos pela sociedade.

O dia começou com uma sessão de treinamento para garantir que os novos aprendizes conheçam alguns conceitos básicos de navegação - único requisito, além de uma noite "bem dormida e uma alimentação simples", para embarcar nesta aventura que uma vez por mês navega pelas águas do rio da Prata com uma singular tripulação.

São pessoas com deficiência, em risco de vulnerabilidade social, em processo de recuperação de dependências e desequilíbrios de personalidade que, acompanhadas por membros da fundação e pessoas que querem ajudar neste processo de integração, passam por esta vivência "incrível", "assombrosa" e "incomum" que já soma 31 embarques.

"Fazer integração através da navegação. Isto é o que nos define", disse à Agência Efe Matías Paillot, representante argentino nas Paralimpíadas de Sydney 2000 e uma das 21 pessoas que fundaram a Escola Goleta do Bicentenário em outubro de 2010.

O papel deste esportista com espinha bífida que começou a navegar quando era uma criança é fundamental nas travessias, pois muitos presentes encontram nele uma voz amiga que lhes compreende.

"A oportunidade" passa por "criar esse espaço" para a integração, afirmou Paillot, que considera que "com a simples ação de levá-los para navegar, são ajudados a ter consciência de que se pode criar um horizonte e uma empatia diferente".

"Eu resumo o programa em duas palavras: É possível", afirmou Román Pellejero, coordenador geral das viagens e que após uma vida dedicada à Marinha argentina como meteorologista não hesitou em se unir ao projeto.

Para Pellejero, este tipo de iniciativa se aprofunda em valores diluídos em nossa sociedade como o trabalho em equipe, a cooperação e a comunicação e ajuda "uma pessoa hábil a ser capaz de aceitar trabalhar com alguém que tem algum tipo de incapacidade e que habitualmente costuma ficar excluída".

É, definitivamente, uma questão de "responsabilidade", pois se a embarcação naufragar, todos usarão o bote salva-vidas, acrescentou o meteorologista, convicto de que esta experiência "enriquece muito".

As expressões de satisfação dos participantes desta aventura náutica são evidentes, seja pelos sorrisos, conversas e pela "camaradagem" que aflora entre os presentes em apenas algumas horas de travessia.

Entre eles estão Mónica Mir e seu filho Facundo, um jovem com, segundo ela, "um leve atraso no desenvolvimento" que cria dificuldades motoras.

Mir explicou à Efe que encontrou a Fundação enquanto buscava uma oferta educativa alternativa, mais próxima da natureza e que incorporasse certos "valores" como o trabalho em equipe e o respeito "em uma sociedade que é bastante competitiva".

Por tudo isso, ela decidiu entrar no navio com Facundo. E definiu a experiência como bastante satisfatória.

"Ele é bastante reservado, mas é preciso identificar o tipo de comportamento que tem. De bom humor ou de mau humor, ele colabora, coopera, e eu o vi bastante entusiasmado", disse a mulher, orgulhosa de ver seu filho como timoneiro e já planejando continuar a aventura com algum curso mais extenso na própria fundação.

Este projeto, declarado de Interesse Cultural pela Secretaria de Cultura da Presidência da Nação, funciona graças a mais de 200 voluntários, pequenas doações particulares, benfeitores, assim como através do patrocínio cultural da cidade de Buenos Aires.

Estas contribuições ajudam para a construção de um navio próprio, o "Goleta Santa Maria de los Buenos Ayres", um veleiro projetado pelo reconhecido arquiteto naval argentino Germán Frers e que, quando estiver pronto, será o único navio de seu tipo na Argentina e o único existente na América Latina para uso civil.

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