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Apesar de protestos, Orbán defende polêmica reforma trabalhista na Hungria

24/12/2018 09h42

Budapeste, 24 dez (EFE).- O primeiro-ministro da Hungria, o nacionalista Viktor Orbán, defendeu em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal "Magyar Idök" a sua polêmica reforma trabalhista que aumenta as horas extras, embora tenha gerado uma onda de protestos no país.

"Quem fala contra a reforma da legislação laboral, fala contra os trabalhadores, porque esta medida serve aos seus interesses. Quem quiser ganhar mais agora terá essa possibilidade", explicou Orbán ao jornal.

A nova legislação aumenta de 250 para 400 as horas extras anuais, o que significa que alguns funcionários precisarão trabalhar seis dias por semana, e permite que o empresário as pague até 36 meses depois de cumpridas.

A oposição e os sindicatos criticaram a legislação, a qual batizaram como "lei de escravidão", com o argumento de que os trabalhadores podem ser demitidos caso não aceitem trabalhar as horas extras requeridas, enquanto o governo afirma que é uma tarefa "voluntária".

"Os partidos da oposição mentem para o povo", afirmou Orbán sobre as críticas recebidas.

Desde que a lei foi aprovada ocorreram várias manifestações no país, nas quais se destacou a participação de todos os partidos da oposição. Algumas dessas manifestações acabaram com a intervenção das forças da ordem.

O primeiro-ministro, que sempre se apresenta como defensor dos interesses do cidadão comum, agora encara um protesto pelas suas políticas sociais que pode impactar a sua popularidade.

"O governo representa o trabalho, o lar, a família e a segurança, enquanto frente a nós está a oposição com a sua política que já arruinou a Hungria uma vez. De um lado está a força tranquila que quer defender o país, no outro a agressão, a violência, o apoio à imigração e o aumento dos impostos", opinou o primeiro-ministro.

Orbán ressaltou que as manifestações "fazem parte da democracia", mas que "o vandalismo, não".

A Hungria tem atualmente uma taxa de desemprego de 4,2%, a mais baixa em uma década, e a falta de mão de obra foi citada por alguns analistas como um problema para a economia de um dos países europeus com as leis de imigração mais restritivas. EFE