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Fórum do Tabaco culpa "mercado negro" por mortes com cigarro eletrônico

Rapaz fuma o cigarro eletrônico da Juul, que mais parece um pen-drive - AFP
Rapaz fuma o cigarro eletrônico da Juul, que mais parece um pen-drive Imagem: AFP

26/09/2019 15h47

Um dos principais palestrantes do Fórum Global sobre Tabaco e Nicotina 2019 (GTNF na sigla em inglês), o pesquisador grego Kristalinos Farsalinos disse que o "mercado negro" dos líquidos usados nos cigarros eletrônicos tem responsabilidade nas recentes mortes dos usuários nos Estados Unidos e Canadá.

"O mercado negro é muito mais barato e não há controle de qualidade. Os cigarros eletrônicos foram usados nos últimos dez anos e não houve casos, e agora, de repente, acontece um surto de casos muito graves", declarou Farsalinos em entrevista coletiva.

Integrante do Centro de Cirurgias Cardíacas Onassis, em Atenas, na Grécia, Farsalinos é um dos principais oradores do GTNF, realizado em Washington, nos Estados Unidos, e que ontem e nesta quinta-feira reuniu médicos e representantes da indústria do tabaco.

Durante os últimos dois meses, ocorreu um surto de centenas de casos de doenças pulmonares inflamatórias agudas, como pneumonia eosinofílica, hemorragia alveolar difusa ou pneumonia lipoídica, associados ao consumo de cigarros eletrônicos, ocorrido na América do Norte, causando nove mortes nos EUA e Canadá.

Em resposta, o presidente americano Donald Trump anunciou que planeja proibir a venda de líquidos de sabores de cigarros eletrônicos, que, segundo ele, afetam principalmente "crianças inocentes".

Para o pesquisador, estes casos "não estão relacionados ao uso convencional de cigarros eletrônicos que estiveram durante anos no mercado americano e global".

"Caso contrário, teríamos observado surtos semelhantes em anos anteriores ou em outros países", justificou.

Kristalinos Farsalinos argumentou que os óleos TCH (Tetraidrocanabinol), que ser encontrados no mercado negro por preços muito inferiores, "usam espessantes para aumentar a viscosidade, melhorar o sabor e eliminar o odor característico", que fazem o cigarro eletrônico atrativo para os consumidores.

Neste sentido, Farsalinos pediu às autoridades que "sigam a ciência" para legislar em um setor com um grande problema de credibilidade e criticou a tentativa de proibir produtos "mais saudáveis" para os consumidores.

Na semana passada, Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) recomendou que as pessoas não recorram ao mercado negro.

"Qualquer pessoa que use um cigarro eletrônico ou um produto de vaporizadores não deve comprar estes produtos (por exemplo, por exemplo, cigarros eletrônicos ou produto de vaporizadores com óleos de THC ou CBD) no mercado de rua, e não deve modificar ou adicionar qualquer substância a esses produtos que não são projetados pelo fabricante", esclareceu a instituição de saúde.

Por outro lado, para o diretor de comunicação para América Latina e Canadá da empresa produtora de tabaco, Philip Morris, Javier Marín, o maior desafio da indústria "é o desenvolvimento de inovações que reduzam o risco de exposição a elementos tóxicos".

Ele defendeu em declarações à Agência Efe que sua empresa trabalha há mais de uma década no desenvolvimento de pesquisas de produtos "livres de fumaça", como um tipo de tabaco que aquece, mas não queima, ou o uso de nicotina líquida, que atenua a exposição ao fumo entre 90% e 95%.