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Fed pede a Congresso mais ajuda fiscal para enfrentar crise "sem precedentes"

29/04/2020 21h31

Washington, 29 abr (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, disse nesta quarta-feira que a atividade econômica nos Estados Unidos "cairá para um ritmo sem precedentes" no segundo trimestre e alertou sobre a gravidade da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus.

"É claro que os efeitos sobre a economia são graves (...) A atividade econômica provavelmente cairá para uma taxa sem precedentes no segundo trimestre", disse Powell em entrevista coletiva após a reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto da entidade (Fomc), que define a política monetária e manteve o patamar dos juros no país na faixa de 0% a 0,25%.

Powell enfatizou a vontade do Fed "de usar todas as ferramentas disponíveis para apoiar a economia dos EUA nestes tempos desafiadores".

O Fed lançou todo o seu arsenal monetário, com grandes compras de títulos e ativos, além de ter feito várias injeções de liquidez, para manter o sistema financeiro operacional em meio a tensões crescentes.

Até agora, foram gastos com essas medidas mais de US$ 3 trilhões, mas Powell reiterou a intenção de continuar apoiando a economia americana sempre que possível.

Entretanto, ele enviou uma mensagem sobre os limites da política monetária e a necessidade de o Congresso do país aumentar o estímulo fiscal.

"Quero enfatizar que os poderes do Fed são poderes de empréstimo, não poderes de gastos. Conseguir um empréstimo que pode ser difícil de pagar pode não ser a solução (...) o apoio fiscal direto pode ser necessário", acrescentou.

Powell advertiu que "a gravidade da recessão dependerá das ações políticas tomadas em todos os níveis de governo".

O pronunciamento do presidente do Fed aconteceu poucas horas após a primeira estimativa da evolução do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA entre janeiro e março.

A economia americana contraiu-se 4,8% no primeiro trimestre de 2020 devido aos efeitos da pandemia do coronavírus. Foi a maior queda desde o último trimestre de 2008, quando a economia encolheu 8,4% em meio à eclosão da última grande crise financeira mundial.

"As baixas taxas de juros devem persistir por, pelo menos, os próximos dois anos, muito depois que a ameaça imediata do vírus se dissipar", disse Lauren Goodwin, economista do fundo New York Life Investments, em comunicado aos clientes.

Os Estados Unidos, que já contabilizam 1 milhão de casos de infecção pelo novo coronavírus e quase 60 mil mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, se preparam para uma recessão que não era registrada desde os anos 30.

Nas últimas semanas, mais de 26 milhões de pessoas solicitaram seguro-desemprego no país.

Até agora, o Congresso americano já aprovou quatro pacotes de resgate econômico que totalizam cerca de US$ 3 trilhões, incluindo transferências diretas de dinheiro a cidadãos e subsídios a pequenas e médias empresas.

"Estamos contribuindo com uma quantidade sem precedentes de apoio fiscal na economia. Vamos ver trilhões de dólares na economia, e acho que isso terá um impacto significativo", disse no último domingo o secretário da Fazenda, Steven Mnuchin.

Entretanto, os líderes republicanos, que têm a maioria no Senado, se manifestaram contra apoiar autoridades estatais e econômicas em dificuldades para não aumentar a já pesada dívida do país.

A próxima reunião do Fed sobre política monetária e suas novas projeções macroeconômicas está marcada para os dias 9 e 10 de junho.

Alfonso Fernández.