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Fed aponta panorama econômico sombrio e mantém juros em 0% até 2022

BRENDAN MCDERMID
Imagem: BRENDAN MCDERMID

De Washington

11/06/2020 00h32

A pandemia do novo coronavírus causará uma retração econômica de 6,5% e uma taxa de desemprego de 9,3% nos Estados Unidos até o final do ano, de acordo com o Federal Reserve (Fed), que revelou nesta quarta-feira suas primeiras projeções para a economia do país desde a crise da covid-19, além de ter anunciado que as taxas de juros permanecerão próximas de 0% até 2022.

"Não estamos sequer pensando em pensar sobre aumentar os juros", disse o presidente do Fed, Jerome Powell, em entrevista coletiva por teleconferência após a reunião de política monetária de dois dias do banco central americano.

A instituição apontou uma recuperação econômica em 2021 de 5% e uma queda no desemprego para 6,5%, embora preveja que a inflação permanecerá abaixo de sua meta anual de 2% até o final de 2021.

"O vírus e as medidas tomadas para proteger a saúde pública levaram a uma forte queda da atividade econômica e a um aumento da perda de empregos", disse o Fed em comunicado aprovado por unanimidade por todos os integrantes de sua direção.

Olhando para o futuro, Powell alertou para "a alta incerteza e o risco considerável" que a economia enfrenta.

"Devemos ser honestos, pois este será um longo caminho", disse o presidente do Fed, lembrando que há mais de 20 milhões de pessoas desempregadas devido ao grave impacto econômico do coronavírus nos EUA.

A taxa de desemprego fechou maio nos EUA em 13,3%, abaixo dos 14,7% registrados em abril, o que tem sido interpretado por alguns analistas como o início da recuperação.

Powell chamou a queda do desemprego em maio de "uma surpresa positiva", mas disse que mais dados são necessários para que os sinais de uma estabilização sejam mais fortes.

O Fed cortou abruptamente as taxas de juros em meados de março em uma reunião de emergência e os colocou na faixa atual de 0 a 0,25%. Além disso, fez várias rodadas de grandes injeções de liquidez para neutralizar o grave choque econômico causado pela paralisação da atividade econômica devido às medidas para restringir a mobilidade urbana e aumentar o distanciamento social.

Powell reiterou nesta quarta que continuará a utilizar todas as ferramentas disponíveis para reativar a economia, incluindo empréstimos emergenciais a empresas, estados e municípios.

"Para apoiar o fluxo de crédito às famílias e empresas, nos próximos meses o Fed aumentará sua carteira de títulos do Tesouro e ativos hipotecários", diz o comunicado.

No geral, os mercados interpretaram as palavras de Powell com cautela.

"Continuar agindo sobre bens e títulos hipotecários ressalta sua crença de que é necessário mais apoio. O Fed não vê uma vitória na recuperação de empregos em maio. O risco de deflação ainda é alto, e a economia precisa de mais apoio para recuperar a saúde plena", disse Diane Swonk, economista-chefe da empresa de investimentos Grant Thornton.

Por outro lado, Powell enalteceu a reação "rápida e poderosa" do Congresso ao aprovar um pacote de ajuda de US$ 3 trilhões em abril, o maior da história do país.

Porém, ele advertiu que, devido à atual crise "sem precedentes", é provável que um pacote adicional de estímulo fiscal seja necessário no futuro próximo para ajudar as famílias e as empresas "nestes tempos extraordinários".

A próxima reunião do Fed está prevista para os dias 28 e 29 de julho.

Alfonso Fernández.

Economia