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América Latina e Caribe querem maior transparência de títulos verdes para atrair investidores

27/04/2021 23h36

Washington, 27 abr (EFE).- Os títulos verdes são um instrumento financeiro de grande potencial na América Latina e no Caribe diante das enormes necessidades de financiamento que essas regiões enfrentam para se adaptarem à mudança climática, motivo pelo qual é essencial aumentar a transparência deles para atrair investidores, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Por isso, juntamente com seu braço privado, o BID Invest, a instituição multilateral com sede em Washington (EUA) lançou nesta terça-feira a ferramenta digital Green Bond Transparency Platform (GBTP), que promove a harmonização e padronização da informação sobre títulos verdes ao fornecer dados sobre o desempenho, o impacto e as metodologias de cada um deles na região, o que contribui para o aumento da transparência.

"Os investidores precisam saber se estes títulos estão a tendo um impacto na luta contra a mudança climática", destacou o chefe da divisão de Conectividade, Mercados e Finanças do BID, Juan Antonio Ketterer, durante a apresentação virtual da plataforma digital, realizada nesta terça-feira.

A nível global, o mercado de títulos verdes atingiu, em 2020, o recorde de emissão com US$ 1,1 trilhão, mas a América Latina e o Caribe representaram apenas 2% deste valor.

No entanto, a tendência é que haja um aumento da participação destas regiões neste mercado. Até agora, a América Latina e o Caribe registraram uma emissão total equivalente a US$ 24 bilhões, US$ 10 bilhões deles registrados depois de 2019.

"O que a transparência cria é um espaço para a geração de confiança", afirmou durante o evento Sean Kidney, o CEO da Climate Bonds Initiative (CBI), uma organização internacional sem fins lucrativos que busca mobilizar o mercado de títulos para soluções climáticas.

Kidney explicou que os títulos verdes são "uma ideia muito simples, um instrumento de dívida que promete que as receitas serão utilizadas de uma certa forma", e, por isso, plataformas como a GBTP permitem aos investidores ter uma "confirmação".

Desde 2016, o Grupo BID tem dado um forte apoio ao mercado de capital verde da região, apoiando mais de 30% das emissões em termos de volume, com exemplos de sucesso no Equador, no Chile e no México.

Mas a crise desencadeada pela pandemia de covid-19 e a crescente ameaça das alterações climáticas aumentaram o apetite dos investidores por estes tipos de instrumentos financeiros, que oferecem uma alternativa à complicada situação dos cofres públicos.

Por sua vez, o presidente do BID, Mauricio Claver-Carone, reconheceu que "os governos estão enfrentando condições fiscais difíceis, razão pela qual não serão capazes de financiar a transição para uma economia sustentável por si próprios".

Estimativas recentes sugerem que os mercados emergentes precisarão de US$ 20 trilhões até 2030 para enfrentar os desafios causados pela mudança climática, e os governos locais poderiam aportar apenas 25% desse valor.

Claver-Carone disse que os grandes fundos de investimento globais, que contam com um grande capital, estão "ansiosos" para participar.

"Nos próximos cinco anos, os governos terão uma oportunidade histórica de atrair estes investimentos se proporcionarem os incentivos certos e se determinarem regras claras para o jogo. Trilhões de dólares de capital privado poderiam fluir para os seus países e gerar empregos", disse ele.

Nesse sentido, a chefe do departamento de Operações de Investimento do BID Invest, Gema Sacristán, ressaltou que há cada vez mais interesse em títulos sustentáveis.

"No início eram apenas investidores internacionais e agora estamos vendo cada vez mais investidores latino-americanos. Eles são vistos como uma clara oportunidade para gerar crescimento sustentável", concluiu Sacristán.