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Criadores de gado argentinos estendem paralisação de comercialização

29/05/2021 02h35

Buenos Aires, 28 mai (EFE).- As quatro maiores patronais agropecuárias da Argentina decidiram nesta sexta-feira prorrogar a paralisação da comercialização de gado, como ação de protesto contra a decisão do governo de Alberto Fernández de suspender temporariamente as exportações de carne bovina.

As entidades rurais, integradas no chamado Comitê de Enlace, tinham decidido não enviar gado vivo para os mercados de leilões onde os matadouros fazem suas compras desde quinta-feira passada e até a meia-noite de hoje, mas decidiram prolongar a medida até quarta-feira da próxima semana.

A suspensão das exportações aplicada em 20 de maio estará vigente durante um mês e o governo afirma que a medida busca reduzir o preço da carne, que em abril registrou um aumento anual de 66,1%, bem acima da variação geral dos preços, de 46,3%.

Por sua parte, o Comitê de Enlace reiterou nesta sexta-feira em comunicado que "o caminho escolhido pelo governo não conseguirá que os preços internos da carne baixem, mas terá o efeito oposto".

UM SETOR COMPLEXO.

A Argentina é um dos maiores consumidores de carne bovina per capita do mundo, com 45 quilos por ano. Além disso, é o quinto maior produtor e quarto maior exportador do mundo.

O país envia para o exterior 30% da sua produção, com exportações que em 2020 totalizaram US$ 2,719 bilhões, impulsionadas pela demanda da China, que representa três em cada quatro toneladas de envios argentinos.

Nesse sentido, as entidades disseram que o pecuarista não é o modelador de preços ou a causa da inflação, mas o "elo mais fraco" de uma cadeia setorial "complexa".

Além disso, repudiaram que alguns membros desta cadeia tenham oferecido ao governo o aumento dos direitos de exportação sobre a carne para retomar os envios para o exterior sabendo que isto afetaria o preço que as empresas de transformação de carne pagam aos pecuaristas.

O PRESIDENTE DEFENDE A SUSPENSÃO.

"Estou determinado que vamos acabar com a suspensão das exportações no dia em que resolvermos claramente esta questão. Até lá, não vou fazer isso. Porque o que se vê é que, exportando 30% do que é produzido, temos um enorme problema com os preços internos", disse nesta sexta-feira o presidente argentino, Alberto Fernández.

Em uma entrevista, Fernández atribuiu o aumento dos preços à forte demanda internacional, principalmente da China, e afirmou que os pecuaristas e os frigoríficos locais "não fizeram nada" para "dissociar" o preço internacional da carne do preço no mercado doméstico.

No entanto, reconheceu que a medida de fechar as exportações "não é boa" porque a Argentina perde rendimentos em dólares, mas ressaltou que "a prioridade é que os argentinos comam".

"Eu não gostaria de fazer isto. O que eu gostaria é que os próprios formadores de preços - produtores e matadouros - percebessem que os argentinos não têm de pagar o mesmo preço pela carne que é paga no mundo porque nós a produzimos", ressaltou.