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Ilan diz que, ao ser convidado para governo, teve promessa de autonomia do BC

André Ítalo Rocha e Eduardo Laguna

São Paulo

Ao lembrar durante evento na capital paulista do convite para fazer parte da equipe econômica do governo Temer, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, disse nesta segunda-feira, 12, que aceitou o cargo após ouvir a promessa de que o órgão teria, por meio de um projeto de lei, autonomia.

"Na reta final (das conversas sobre ida ao governo) houve um pouco de discussão sobre autonomia, sobre que tipo de cargo eu teria. Na época o presidente do BC ia deixar de ter status de ministro, mas tinha uma proposta de dar autonomia para o BC", afirmou.

De acordo com Goldfajn, lhe disseram que ele poderia não ser ministro, porque logo a lei passaria. Ele contou que respondeu o seguinte: "assim que tiver uma lei, faço questão nenhuma de ter status de ministro". "No fim das contas a lei ainda está em discussão", acrescentou, em tom de lamentação.

O presidente do BC também disse que o foco de seu trabalho é a economia e que procura ter uma atuação técnica, sem pensar na política. Ele ponderou, contudo, que alguns pontos ligados à política monetária estão atrelados à política, dando como exemplo a aprovação das reformas. "Se a crise política atrapalhar as reformas, isso afeta o meu trabalho", afirmou.

Ao ouvir de uma participante da plateia que a economia parecia estar blindada da crise política, Goldfajn discordou e comentou que ainda vê riscos no cenário. "Vou continuar trabalhando como comecei, tentando ser o mais técnico possível" afirmou o titular do BC, acrescentando que não tem filiação partidária, que não se sente pessoalmente blindado e que não vai questionar qual situação é melhor ou pior do ponto de vista político.

Ao responder a críticas sobre os juros praticados no País, Goldfajn citou os que dizem que o juro real está "muito alto" e afirmou que quem manda nos juros é a economia, não o BC. "A gente (do BC) faz o que pode", disse.

Inflação

Ao concluir uma explicação sobre o que é a meta de inflação, em resposta à pergunta de um participante do evento em São Paulo, Goldfajn, afirmou que a meta de inflação do Brasil tem sido de 4,5% nos últimos anos e que o País ainda não teve a "oportunidade" e a "ousadia" de alterá-la.

A avaliação foi feita após o presidente do BC ter dito que, nos países tidos como avançados, a meta de inflação é de 2% e que o Conselho Monetário Nacional (CMN), que define a meta de inflação no Brasil, terá uma reunião ainda neste mês para definir a meta de inflação de 2019.

Goldfajn participou na noite desta segunda-feira de um evento no centro cultural judaico, zona oeste da capital paulista, em que falou sobre a carreira e a influência da religião em sua formação durante entrevista à jornalista Mona Dorf.

Ao introduzir o convidado, Mona fez elogios à melhora da economia, mas disse que ainda falta cortar mais os juros, no que o presidente do BC, que teve reuniões nesta segunda-feira com investidores, respondeu ter ouvido essa crítica o dia todo.

O evento transcorreu, na maior parte do tempo, de modo descontraído. Goldfajn chegou a entregar flores para sua esposa, presente na plateia, a quem conseguiu encontrar pela primeira vez nesse dia dos namorados.

Quando falou sobre seu trabalho, Goldfajn disse que presidir o BC é uma grande responsabilidade e que está satisfeito com os resultados da gestão, apesar dos ossos do oficio. "Tem sempre alguma coisa que você sabe que está errado e tem que arrumar. A gente joga tanto no ataque, propondo agendas e projetos, quanto na defesa resolvendo problemas", afirmou.

"Na iniciativa privada você sente saudade do setor público e no setor público você sente saudade da iniciativa privada", acrescentou o presidente do BC, que, durante o evento, também fez críticas ao intervencionismo excessivo do Estado. Ponderou, contudo, que o Brasil, devido a problemas sociais, ainda depende de atuação estatal.

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