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Indústria da construção segue em retração com demanda fraca, diz CNI

Eduardo Rodrigues

Brasília

26/04/2018 11h12

A indústria da construção continua em retração, mas o ritmo de queda na atividade arrefeceu pelo terceiro mês consecutivo em março, de acordo com sondagem divulgada nesta quinta-feira, 26, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a entidade, a fraca demanda interna ainda limita a recuperação do setor.

Em uma escala na qual valores abaixo de 50 pontos significam queda na produção, a indústria da construção registrou 47,1 pontos no mês passado, o melhor resultado desde novembro de 2013. Em fevereiro, o índice havia ficado em 46,2 pontos e, em janeiro, em 45,6 pontos. "A atividade da indústria da construção continua em queda, mas o recuo está cada vez menos intenso", avaliou a CNI no documento.

Da mesma forma, o índice de emprego no setor melhorou de 44,1 pontos em fevereiro para 45,4 pontos em março, mas ainda está abaixo da linha divisória dos 50 pontos, indicando fechamento de postos de trabalho.

Com isso, a ociosidade no setor continuou elevada em março, com a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) estável em 57%. Esse patamar é seis pontos porcentuais inferior à média histórica do indicador desde 2012.

A fraca demanda interna passou o principal problema apontado pelos empresários da construção no trimestre, ultrapassando a elevada carga tributária do setor. Falta de capital de giro, burocracia excessiva e inadimplência dos clientes aparecem na sequência como os principais entraves do setor.

"A recuperação da indústria da construção depende de uma situação mais favorável dos consumidores. As pessoas precisam ter mais segurança em relação ao emprego, à renda e à situação financeira em geral para comprar um imóvel", avaliou, em nota, o economista da CNI Marcelo Azevedo. "Os consumidores ainda estão muito receosos para assumir um financiamento alto e de longo prazo", acrescentou.

A sondagem também mostra que as condições financeiras da indústria da construção pioraram no primeiro trimestre de 2018 em relação ao fim do ano passado. A satisfação com a margem de lucro operacional caiu de 37,0 pontos para 34,4 pontos, enquanto a satisfação com a situação das empresas recuou de 39,9 pontos para 39,2 pontos. O índice que mede a facilidade do acesso ao crédito caiu de 30,7 pontos para 30,2 pontos.

Nesse ambiente, as expectativas para os próximos seis meses pioraram. A perspectiva para o nível de atividade do setor caiu de 56,5 pontos em março para 54,5 pontos em abril, ainda no campo positivo - acima da linha divisória dos 50 pontos. Nessa mesma escala, a expectativa de novos de serviços, caiu de 55,4 pontos para 53,2 pontos. A perspectiva sobre o emprego recuou de 54,0 pontos para 52,5 pontos.