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A empresários em NY, Temer diz que vai tentar votar a Previdência após eleição

Beatriz Bulla e Ricardo Leopoldo

Nova York

24/09/2018 16h30

Em encontro com empresários americanos e brasileiros nesta segunda-feira, 24, em Nova York, o presidente Michel Temer disse que, após o resultado das eleições, irá trabalhar para emplacar a reforma da Previdência. "Procurarei o presidente eleito. E tenho certeza que, ao procurá-lo, ele atentará para o fato de que a medida é indispensável. Não é essencial para um governo, é essencial para o Brasil", disse Temer, apostando superar o que chamou de "dificuldade de natureza eleitoral" para aprovar a reforma nos dois meses finais de seu mandato.

Ao falar sobre eleições, ele afirmou ainda que não há espaço para alternativas políticas à democracia no País. "Hoje não existe no Brasil qualquer espaço político para que prosperem alternativas ao estado democrático de direito", afirmou. "Nós consolidamos três consensos fundamentais (desde a Constituição Federal de 1988): primeiro, em torno da democracia. Depois, em torno da estabilidade macroeconômica. E em torno do imperativo das políticas sociais", afirmou o presidente. Ele disse que não tem a intenção de "prever cenários", mas sim apresentar elementos sobre a dinâmica brasileira.

"Vamos ser bastante objetivos, o fato é que os principais candidatos podem discordar sobre muita coisa, mas coincidem quanto a cada um dos três contextos. Nenhum deles pôs em dúvida a democracia, e nem haveria espaço para isso", disse Temer, garantindo aos empresários que "não haverá volta atrás" em reformas empreendidas em seu governo, como a trabalhista ou o teto dos gastos públicos. "As (reformas) que ainda estão por fazer são inevitáveis", disse, em menção à reforma tributária e da Previdência.

O presidente fez um balanço de seu governo, destacando o que considerou reformas, marcos regulatórios em infraestrutura e avanços econômicos que, segundo ele, fizeram a inflação recuar, a taxa básica de juros cair e o desemprego estancar. "Nós vencemos a crise", disse Temer, ressaltando que o Brasil é um país atrativo para investidores.

"O nosso governo prestigiou e prestigia a iniciativa privada, tanto a nacional, como a estrangeira. Sabemos que o Estado não pode nem deve fazer tudo, é o setor privado que cria emprego, riqueza e renda. Esse é o novo Brasil que estamos construindo", disse o presidente.

Temer destacou o mercado de 208 milhões de consumidores, agricultura "avançadíssima e competitiva" e um parque industrial "moderno e diversificado".

"E há um fato político importante, nós estamos distantes de focos de tensão geopolíticas, nós vivemos em paz com nossos vizinhos", disse Temer. Aos investidores e empresários, ele afirmou que as instituições brasileiras são "fortíssimas".

Ele falou sobre a emenda que estabeleceu um teto nos gastos públicos como uma das formas de "encarar" os problemas. "O que nós fizemos foi reduzir os gastos, estabelecer um teto, e o fizemos com grande responsabilidade. A emenda constitucional que aprovamos prevê um prazo mínimo de dez anos para que possa haver uma revisão", disse Temer.

O presidente falou que "os empregos estão voltando" no Brasil e que a reforma trabalhista foi uma iniciativa para tornar a legislação adequada aos tempos contemporâneos. Segundo ele, a reforma foi feita através de diálogo com o Congresso e setores produtivos.

O evento foi organizado em Nova York pela Brazil-U.S. Business Council. Na terça-feira, 25, Temer faz o discurso de abertura da 73ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Participam da comitiva de Temer os ministros Moreira Franco (Minas e Energia), Ronaldo Fonseca (Secretaria-Geral), Aloysio Nunes (Itamaraty) e Sérgio Etchegoyen (SGI) e os embaixadores Mauro Vieira (embaixador do Brasil junto à ONU) e Sérgio Amaral (embaixador do Brasil em nos EUA).

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