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Após avanço puxado por feijão e minério, FGV prevê IGP-M menor em março

Thaís Barcellos

São Paulo

27/02/2019 14h04

O forte aumento dos preços de feijão e de minério de ferro no atacado foram os destaques de aceleração do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que subiu de 0,01% em janeiro para 0,88% em fevereiro, afirma o economista André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Mas Braz ressalta que as taxas desses produtos devem ter atingido seu pico em fevereiro e devem começar a desacelerar em março, contribuindo para o arrefecimento do IGP-M.

"O IGP-M só disparou por causa desse choques de oferta, que são temporários", explicou ele, referindo-se à quebra de safra do feijão e à suspensão das operações em algumas minas de minério de ferro da Vale depois do acidente em Brumadinho.

O resultado do IGP-M superou o teto de expectativas da pesquisa do Projeções Broadcast, de 0,75%. A mediana era de 0,69%, e o piso de 0,59%.

O feijão em grão subiu 62,35% no IGP-M de fevereiro, de 15,61% em janeiro, enquanto o minério de ferro avançou de 2,99% para 11,98%. Somente os dois itens representaram 78% (0,96 ponto porcentual) do alta de 1,22% Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), de queda de 0,26%.

Além do feijão, Braz ressalta a influência de alta de outros produtos in natura no atacado, como a batata inglesa (4,17% para 40,80%), que representou 0,14 ponto do IPA, e de ovos (-5,94% para 12,03%), que significou 0,09 ponto do índice do atacado.

Ambas as altas respondem a fatores sazonais, explica André. A batata é afetada pelo clima desfavorável do verão, enquanto a troca de penas das galinhas diminui a produtividade de ovos.

No caso dos preços industriais (-0,12% para 0,74%), outra fator a contribuir com a aceleração, além do minério de ferro, foi o preço do óleo diesel (0,88% para 7,56%), refletindo o aumento do petróleo no mercado internacional.

Por outro lado, os alimentos processados (0,45% para -1,23%) ajudaram a atenuar o avanço no atacado, em função principalmente das quedas em carnes, completa Braz. A carne bovina passou de alta de 0,98% para recuo de 4,24%, enquanto a carne suína mostrou deflação maior (-0,63% para -4,10), assim como a carne de aves (-0,95% para -1,04%).

IPC

No caso da inflação ao consumidor, o aumento do feijão não deve ser gatilho para altas generalizadas, segundo Braz. O economista afirma que a pressão da alta da leguminosa deve ser mais contida e pode ser atenuada pelo alívio em carnes, diz o economista do Ibre/FGV.

Além disso, Braz lembra que o crescimento lento da economia limita repasses sobre os preços e ressalta que há uma perspectiva mais favorável para os preços administrados. "Não há desafios à vista para a inflação ao consumidor, que deve fechar o ano abaixo do centro da meta, de 4,25%."

Em fevereiro, no Índice de Preços ao Consumidor, o feijão carioca subiu de 13,64% para 30,08%, o feijão mulatinho avançou de 12,80% para 29,09% e o feijão preto teve alta de 10,29%, de 0,59%. Mas Braz ressalta também que o peso do grão no índice é baixo. "Não chega a 0,20 ponto porcentual." Ele reforça ainda que o aumento provocado pela quebra da primeira safra do ano pode ser revertido com as outras duas safras do grão.

O IPC, por sua vez, desacelerou de 0,58% para 0,26% em fevereiro, motivado principalmente pelo fim do efeito do aumento típico de mensalidades escolares em janeiro.