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Aumento no desemprego era esperado, é sazonal, diz IBGE

Daniela Amorim

Rio

27/02/2019 13h52

O aumento no desemprego registrado em janeiro de 2019 era um movimento esperado, característico dessa época do ano, afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego passou de 11,7% no trimestre encerrado em outubro de 2018 para 12,0% no trimestre até janeiro de 2019.

Houve dispensa de 354 mil trabalhadores no período. Outros 318 mil indivíduos aumentaram a fila em busca por uma vaga.

"Como era de se esperar houve redução no numero de ocupados, e aumento no de desocupados. É um aumento esperado, sazonal, tem a ver com dispensa de trabalhadores temporários. Acontece na indústria, na agricultura, não é só no comércio que ocorre isso", afirmou Azeredo.

O coordenador do IBGE afirma, porém, que a situação do mercado de trabalho está menos favorável neste início de 2019 do que aparentava no início de 2018.

"O emprego está mais fraco. Por isso o (trabalho por) conta própria é a forma que a população acaba buscando como possível, para gerar renda", disse ele.

No trimestre encerrado em janeiro, o fechamento de vagas sem carteira assinada no setor privado puxou a média salarial para cima. O rendimento médio avançou 0,8% em relação ao trimestre terminado em outubro de 2018, devido à extinção de vagas precárias, com rendimento menor.

"As pessoas que perderam o emprego são do extrato de renda mais baixo. Fazendo com que a renda média ficasse maior", confirmou o pesquisador. "Você tem que ter cenário macroeconômico que favoreça esse tipo de investimento que contrata trabalhadores com carteira assinada. Mas como fazer isso é mais difícil de responder", avaliou Azeredo.

Fatores

O aumento no número de motoristas de aplicativo e de pessoas vendendo comida nas ruas como ambulantes impediu uma alta ainda maior no desemprego em janeiro, contou Cimar Azeredo. No trimestre encerrado em janeiro, segundo os dados da Pnad Contínua, o setor de transportes ganhou mais 129 mil trabalhadores, enquanto o segmento de alojamento e alimentação assimilou mais 126 mil pessoas em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2018.

"As pessoas estão entrando no mercado de trabalho por conta própria, sem carteira (assinada). As pessoas não estão entrando no mercado formal", lembrou Cimar Azeredo.

Também houve abertura de vagas na passagem do trimestre até outubro de 2018 para o trimestre encerrado em janeiro de 2019 nas áreas de comércio (+83 mil trabalhadores) e informação, comunicação e atividades financeiras (+167 mil pessoas).

Por outro lado, no trimestre até janeiro, a indústria dispensou 345 mil trabalhadores, enquanto a agricultura demitiu outras 192 mil pessoas. O segmento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais fechou 175 mil vagas.

"A indústria tem essa característica mesmo de dar uma enxugada (no pessoal ocupado) no fim do ano. Não conseguimos identificar um setor específico, está pulverizado", contou Azeredo, especificando, porém, que a indústria paulista concentrou boa parte das demissões. "Na agricultura, está claro que é a cultura do café (que está demitindo). A administração pública também enxuga (funcionários) no fim do ano", justificou.

Outros segmentos com corte de pessoal foram o de outros serviços (-139 mil), construção (-2 mil) e serviços domésticos (-20 mil).