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Necton: redução de compulsório está em linha com discurso do BC

Denise Abarca

São Paulo

26/06/2019 19h34

A decisão do Banco Central (BC) de reduzir a alíquota de recolhimento dos depósitos compulsórios a prazo, informada nesta quarta-feira, 26, vai ao encontro do alerta do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que é necessário desobstruir os canais de transmissão da política monetária com medidas microeconômicas, avaliou o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito. "Campos Neto tem dito que o problema para a atividade não é a Selic. Essa decisão visa desobstruir os canais e tem efeito análogo a um corte de juros", afirmou. "O BC tem agido de acordo com o discurso", completou.

A alíquota cairá em dois pontos porcentuais, de 33% para 31%, a partir de 15 de julho. A mudança, conforme o BC, vai implicar a redução do recolhimento da ordem de R$ 16,1 bilhões. Perfeito afirma que "não é pouca coisa", mas pondera, contudo, que não necessariamente este volume entrará no "tecido econômico". Ele lembra que os bancos estão reticentes em dar crédito, diante da fraqueza da economia e desemprego elevado. "As medidas de risco estão muito estressadas", afirmou.

"Não quer dizer obrigatoriamente que as entidades financeiras vão emprestar. Na Europa, por exemplo, o dinheiro liberado pelos bancos centrais foi usado pelas instituições na compra de títulos longos", explicou.

Economia