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Bradesco provisiona R$ 2,7 bilhões e lucro líquido do 1º trimestre encolhe 39,8%

Aline Bronzati e Cynthia Decloedt

São Paulo

30/04/2020 07h28

O Bradesco viu lucro líquido recorrente encolher 39,8% no primeiro trimestre deste ano em meio à pandemia do novo coronavírus, o que empurrou a cifra no período para R$ 3,753 bilhões ante o mesmo período de 2019. Em relação aos três meses anteriores, a queda foi ainda maior, de 43,5%.

Pesou nos resultados, sobretudo, o reforço de R$ 2,7 bilhões em provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, feitas no primeiro trimestre por conta da covid-19. O Bradesco, explica em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que o colchão adicional foi constituído em consequência do "cenário econômico adverso que poderá resultar no aumento da inadimplência, como reflexo da falência de empresas, do desemprego, bem como a degradação do valor das garantias".

O valor de R$ 2,7 bilhões somado à parcela pré-existente de R$ 2,4 bilhões, totaliza uma provisão complementar para o "cenário econômico adverso" de R$ 5,1 bilhões. "Esta crise tem provocado grande volatilidade nos mercados globais e local, fato que impactou adversamente nossos resultados advindos da margem financeira com mercado e do resultado financeiro da operação de seguros deste trimestre", acrescenta o banco.

A carteira de crédito ampliada do Bradesco somou R$ 655,094 bilhões ao fim de março, volume 5,1% superior ao registrado em dezembro. Em um ano os empréstimos tiveram incremento de 17,0%.

Em meio à corrida das empresas por liquidez, o Bradesco viu a carteira de crédito à pessoa jurídica crescer 6,6% no primeiro trimestre ante o quarto, para R$ 415,880 bilhões. Na pessoa física, a alta foi de 2,6%, para R$ 239,214 bilhões. Ante um ano, essas carteiras tiveram elevações de 15,6% e 19,5%, respectivamente.

O Bradesco fechou março com R$ 1,486 trilhão em ativos totais, aumento de 5,5% em relação ao quarto trimestre. Em um ano, a alta foi de 7,1%.

O patrimônio líquido do banco, por sua vez, diminuiu 3,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, para R$ 129,548 bilhões. No comparativo anual, cresceu 2,3%.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROE, na sigla em inglês) já foi impactada pela pandemia. O indicador diminuiu praticamente pela metade, para 11,7% no primeiro trimestre contra 21,2% nos três meses anteriores.

Diante da pandemia, o Bradesco decidiu suspender seus guidances de desempenho para 2020. Segundo o banco, as incertezas causadas pela covid-19 mudaram o cenário e reduziram a previsibilidade do desempenho dos negócios neste momento. "Tão logo tenhamos um cenário que permita maior previsibilidade, o Bradesco avaliará retomar a divulgação de projeções ao mercado", conclui.

Provisões

O Bradesco reportou aumento de 86,1% em suas provisões, no conceito expandido, para R$ 6,708 bilhões no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo trimestre do ano passado, as quais estavam em R$ 3,604 bilhões. Em relação ao quarto trimestre, quando somavam R$ 3,981 bilhões, as despesas avançaram 68,5%.

As despesas no trimestre foram de R$ 7,359 bilhões, 17% superiores ao do mesmo trimestre de 2019 e 59,2% acima do quarto trimestre. O número foi parcialmente compensado por receitas com recuperação de crédito de R$ 1,420 bilhão, 52,8% inferiores ao primeiro trimestre do ano passado e 7,9% abaixo do quarto trimestre.