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OCDE defende 'transformação digital' para acelerar recuperação de AL e Caribe

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

24/09/2020 13h26

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) defende em relatório o papel da "transformação digital" para acelerar a recuperação da América Latina (AL) e do Caribe da crise da covid-19. O argumento é desenvolvido em relatório anual conjunto, produzido pelo Centro de Desenvolvimento da OCDE, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) da Organização das Nações Unidas, pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e pela Comissão Europeia.

O levantamento mostra o forte impacto da pandemia entre os mais vulneráveis na região, ao citar que as microempresas foram especialmente atingidas. O relatório estima que 2,7 milhões delas podem fechar, o que implicaria uma perda de 8,5 milhões de postos de trabalho na região. No início da crise, 40% dos trabalhadores da América Latina e do Caribe não tinham acesso a qualquer forma de proteção social e 60% deles trabalhavam na informalidade.

Secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena projeta que mais de 45 milhões de pessoas caiam na pobreza com a crise econômica atual. Nesse contexto, ela argumenta que a digitalização poderia ser uma "ferramenta poderosa" para superar os desafios estruturais da região, considerando-a como "via integral para impulsionar uma mudança estrutural progressiva", diz ela, em comunicado divulgado pela OCDE.

Secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría defende que a crise gera oportunidades para avançar em reformas necessárias para ajudar a difundir os benefícios da transformação digital a fim de conseguir um crescimento inclusivo e sustentável.

O relatório aponta que a crise exacerba vários desafios estruturais relacionados, como a alta desigualdade e a informalidade, a baixa produtividade e deficiências nos serviços e nas instituições públicos. Para as entidades, a transformação digital poderia ajudar a região a sair da crise, por meio do estímulo à inovação empresarial e a novos modelos de consumo. Elas podem ainda melhorar a governança, dando maior foco nos cidadãos na formulação e execução das políticas públicas.