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Maia conversa com governo, mas se nega a tirar PEC dos municípios da pauta

Rodrigo Maia entrou em novo conflito com o governo - ADRIANO MACHADO
Rodrigo Maia entrou em novo conflito com o governo Imagem: ADRIANO MACHADO

Daniel Weterman

Brasília

21/12/2020 17h44

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), discutiu com o líder do governo na Casa, Ricardo Barros (PP-PR), e se negou a retirar da pauta uma proposta que aumenta os repasses da União para municípios. A medida eleva em 1% as transferências da União para o FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Conforme o Estadão/Broadcast revelou, o governo entrou em estado de alerta vermelho para barrar a votação da PEC, que pode retirar mais R$ 4 bilhões do caixa do Tesouro Nacional por ano. A medida é apontada como mais um jabuti incluído de última hora no apagar das luzes do ano no Congresso Nacional.

Na sessão de hoje, partidos aliados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fazem obstrução para tentar barrar a votação de propostas e esvaziar o fim do mandato de Rodrigo Maia à frente da Câmara. Durante a análise de requerimentos relativos ao projeto que trata do pagamento por serviços ambientais, Ricardo Barros subiu ao plenário e pediu a intervenção de Maia na PEC.

"Então vota contra, ué. Aí eu sou obrigado a segurar tudo?", respondeu Maia, fora do microfone. A conversa acabou sendo captada pela transmissão da sessão. "Aí o presidente (Bolsonaro) vai e diz que os prefeitos estão contra mim", completou Maia na conversa com Ricardo Barros. O líder do governo saiu da mesa na sequência afirmando que iria "trabalhar".

Na semana passada, Bolsonaro acusou o presidente da Câmara de não colocar em votação o pagamento do 13º do Bolsa Família neste ano. Maia rebateu declarando que o chefe do Planalto mentiu e que a culpa por não expandir a rede de proteção social é do governo. A medida acabou ficando fora da agenda de votações nesta semana.

Ao longo da sessão, Maia defendeu a votação da PEC dos municípios. De acordo com ele, a proposta foi aprovada em primeiro turno no plenário no ano passado e a pauta não é uma surpresa. "Não foram cinco sessões de espera, foram 12 meses de espera. Eu tenho certeza que ninguém vai dizer que a colocação da PEC na pauta significa qualquer surpresa a qualquer parlamentar na Casa."