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Requisitos para alta de juros são mais rigorosos do que para tapering, diz Powell

André Marinho e Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

27/08/2021 12h35

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, ressaltou que os requisitos para uma elevação de juros nos Estados Unidos "são mais rigorosos" do que aqueles para o início da gradual redução nas compras de bônus ("tapering"). Durante o aguardado discurso no Simpósio de Jackson Hole, ele também disse que o ritmo do "tapering" é algo dissociado da decisão sobre alta de juros.

"O momento e o ritmo da redução por vir nas compras de ativos não pretendem dar um sinal direto em relação ao momento da elevação da taxa de juros, para a qual temos um teste diferente e substancialmente mais rigoroso", afirmou Powell. "Nós temos dito que manteremos o nível atual das juros até que a economia atinja condições consistentes com o máximo emprego, e a inflação tenha atingido 2% e estiver no caminho para superar moderadamente 2% por algum tempo", detalhou.

E acrescentou: "Nós temos muito caminho pela frente até atingir o máximo emprego, e o tempo dirá se atingimos a inflação em 2% em uma base sustentável."

Leituras sobre inflação

O presidente do Federal Reserve voltou a argumentar que o avanço recente da inflação nos Estados Unidos deve se mostrar um fenômeno temporário, embora tenha dito que não é possível garantir isso. Durante discurso no Simpósio de Jackson Hole, ele lembrou que a rápida reabertura da economia causou um impulso nos preços, citando leituras recentes "bem acima de nossa meta de longo prazo de 2%". "A inflação nesses níveis é, claro, uma fonte de preocupação", admitiu, voltando a argumentar, no entanto, que há sinalizações de que esse movimento é temporário. De qualquer modo, voltou a garantir que, caso a inflação se torne uma "preocupação séria", o Fed agirá para contê-la.

Powell disse que não há até agora pressões disseminadas e de base ampla sobre a inflação. O salto nos preços foi concentrado em um conjunto limitado de bens e serviços, afetados diretamente pela pandemia da covid-19 e pela reabertura. Há ainda fatores como a base de comparação, com quedas acentuadas anteriores e recuperação agora, por exemplo, em preços de reservas de hotéis, mencionou. Esses efeitos perderão fôlego adiante, previu.

Segundo o presidente do Fed, começa a ser vista uma moderação nos preços em alguns casos de produtos afetados pela dinâmica da pandemia e da reabertura. Ele citou os preços de carros usados, que "parecem ter se estabilizado". E afirmou ainda ser improvável que a inflação sobre bens duráveis deve continuar a contribuir de modo significativo para a inflação em geral. Sobre os salários, disse ver pouca evidência de que avanços nestes possam ameaçar em demasia a inflação.

Powell afirmou ainda que as expectativas de inflação de mais longo prazo estão em geral consistentes com a meta de 2% do Fed. As expectativas de inflação no mais longo prazo mudaram menos do que as de curto prazo, destacou, sugerindo que as empresas e pessoas continuam a pensar que a inflação elevada atual deve ser transitória.

O presidente do Fed ainda lembrou que há uma prevalência de forças desinflacionárias no mundo, ao longo dos últimos 25 anos, que devem continuar a pesar sobre a inflação. Ele citou que, desde os anos 1990, a inflação nas economias avançadas tem ficado abaixo de 2% "mesmo nos bons tempos", por questões como tecnologia, demografia e o compromisso dos bancos centrais em manter a estabilidade dos preços.

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