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Mercado vê inflação mais alta em 2022, de 7,65%, acima da meta do governo

A mediana para o IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022 saltou de 7,46% para 7,65% na última semana, conforme o Relatório de Mercado Focus - Vinícius de Oliveira/UOL
A mediana para o IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022 saltou de 7,46% para 7,65% na última semana, conforme o Relatório de Mercado Focus Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

Thaís Barcellos e Eduardo Rodrigues

Brasília

26/04/2022 09h07Atualizada em 26/04/2022 13h17

A mediana para o IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022 saltou de 7,46% para 7,65% na última semana, conforme o Relatório de Mercado Focus. O percentual está muito longe do teto da meta deste ano (5,0%), indicando novo descumprimento do mandato principal do BC (Banco Central). Há um mês, a mediana para o IPCA era de 6,86%.

Para 2023, foco principal da política monetária, a alta na última semana foi de 3,91% para 4,00%, se afastando cada vez mais do objetivo do BC para o ano que vem, de 3,25%, com margem de tolerância de 1,75% a 4,75%. Há quatro semanas, a projeção era de 3,80%.

Considerando as 96 alterações nos últimos cinco dias úteis, a mediana para 2022 também subiu, de 7,51% para 7,72%. Para 2023, as 94 alterações feitas nos últimos cinco dias úteis reduziram a estimativa mediana de 4,05 para 4,00%.

Greve de servidores e atraso em dados econômicos

O Focus foi atualizado na manhã desta terça-feira (26) após mais de três semanas sem divulgação devido à greve dos servidores do Banco Central, que foi suspensa até 2 de maio.

No documento com a data de referência de 1º de abril, a mediana para o IPCA 2022 estava em 6,97%, saltando a 7,43% no relatório de 8 de abril e oscilando a 7,46% no dia 15. Para 2023, a previsão no relatório do dia 1º era de 3,80%, indo a 3,89% em 8 de abril e chegando a 3,91% no dia 15 de abril.

Em relação à mediana para 2024, a alta na última semana foi de 3,16% para 3,20%, de 3,20% um mês antes. As medianas anteriores foram de 3,12% (1º de abril), 3,20% (8/4) e 3,16% (15/4). Já a previsão para 2025 continuou em 3,00%, mesmo porcentual de todas as semanas anteriores e de um mês atrás.

A meta para 2024 é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto porcentual (de 1,5% para 4,5%). Para 2025, por sua vez, a meta ainda não foi definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

No comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) de março, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 7,1% em 2022 e 3,4% em 2023. Diante da volatilidade no mercado de petróleo causado pela guerra na Ucrânia, o colegiado ainda criou um cenário alternativo, com maior probabilidade, em que as previsões estariam em 6,3% e 3,1%, respectivamente. O colegiado elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 11,75% ao ano.

Outros meses

Os economistas do mercado financeiro elevaram a previsão para o IPCA de abril de alta de 0,87% para 0,90% na última semana. Um mês antes, o porcentual projetado era de 0,91%. Nas semanas anteriores, a mediana para o IPCA de abril era de 0,95% (1º de abril), 0,90% (8/4) e 0,87% (14/4).

Para maio, a projeção no Focus acelerou de alta de 0,05% para 0,20%, ante deflação de 0,21% há quatro semanas. Nas semanas anteriores, a mediana para o IPCA de maio era de -0,20% (1º de abril), -0,14% (8/4) e 0,05% (14/4).

O relatório ainda trouxe a estimativa para o IPCA de junho, que passou de 0,39% para 0,40%, mesmo porcentual de um mês atrás. Nas semanas anteriores, a mediana para o IPCA de junho era de 0,40% (1º de abril), 0,39% (8/4) e 0,39% (14/4).

A inflação suavizada para os próximos 12 meses passou de alta de 5,37% para 5,52% de uma semana para outra - há um mês, estava em 5,76%. Nas semanas anteriores, a mediana para a inflação suavizada para os próximos 12 meses era de 5,59% (1º de abril), 5,43% (8/4) e 5,37% (14/4).