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Produtividade da indústria em 2021 tem maior tombo desde 2000, aponta CNI

Operário olha carro na linha de montagem da fábrica da montadora de automóveis Ford, em São Bernardo do Campo (SP) - Rodrigo Paiva/Folhapress
Operário olha carro na linha de montagem da fábrica da montadora de automóveis Ford, em São Bernardo do Campo (SP) Imagem: Rodrigo Paiva/Folhapress

Eduardo Rodrigues

Brasília

03/05/2022 15h40

Apesar do crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria em 2021, a produtividade do setor caiu 4,6% no ano passado, o maior tombo na série histórica apurada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) desde 2000.

Com os impactos diretos da pandemia de covid-19 na economia desde 2020, a indústria acumulou nos últimos dois anos uma perda de produtividade de 5%, retornando para os patamares de 2016. Até então, a maior queda no indicador havia ocorrido em 2008, quando a produtividade da indústria caiu 2,2% em meio à crise financeira internacional.

A menor produtividade é calculada em função das horas de trabalho nas fábricas e do volume de bens produzidos. Na comparação com 2020, o parque industrial funcionou por um tempo 9,3% maior no ano passado, enquanto a produção aumentou apenas 4,3% na mesma comparação.

"Essa desaceleração reflete os efeitos da segunda onda de covid-19, ocorrida no início do ano, e as dificuldades enfrentadas na retomada dos investimentos e da produção. Além de gargalos antigos, como a complexidade do sistema tributário, há problemas com a falta ou alto custo de insumos e matérias-primas", avaliou a gerente de Política Industrial da CNI, Samantha Cunha.

A produtividade da indústria caiu em todos os trimestres de 2021. A maior queda foi no começo do ano - durante a segunda onda de contágio pela variante Ômicron do novo coronavírus. Na comparação com o último trimestre de 2020, o tombo foi de 4,2%. Nos demais trimestres do ano, a produtividade seguiu caindo em torno de 1% em cada.

Ainda assim, a CNI acredita que a produtividade do setor deve retomar a trajetória de crescimento - ainda que baixo - a partir deste ano. Em 2018 e 2019, por exemplo, o indicador cresceu 0,8% e 0,9%, respectivamente. No longo prazo, porém, pode haver um aumento sustentado da produtividade, desde que haja investimentos em inovação, como o 5G e tecnologias ligadas à indústria 4.0.