Leve apetite a risco no exterior estimula ganho moderado do Ibovespa no penúltimo pregão do mês

Depois de subir 0,67%, na máxima aos 127.388,15 pontos na onda do otimismo com sinais leves do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) na véspera, o Ibovespa renovou mínima há instantes, testando queda na manhã desta quarta-feira, 29. A razão para esta perda de vigor foi a alta mais forte do que a esperada do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, diz Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos. "Foi o PIB."

O PIB dos EUA cresceu ao ritmo anualizado de 5,2% no terceiro trimestre de 2023. O resultado ficou acima da leitura anterior e da mediana de expectativas de analistas, de alta de 4,9%. Já o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA subiu à taxa anualizada de 2,8% no terceiro trimestre, ganhando força depois de avançar 2,5% no segundo trimestre.

O núcleo do PCE, que desconsidera preços de alimentos e energia, aumentou 2,3% entre julho e setembro, desacelerando frente ao acréscimo de 3,7% do trimestre anterior.

"Os dados reforçam a ideia de um Fed mais duro na condução da política monetária, devolve um pouco do otimismo da véspera", avalia Bruno Takeo, analista da Ouro Preto Investimentos.

Apesar dessa percepção, Takeo diz que não necessariamente o Fed subirá juros, tampouco acredita que haja espaço para corte já no primeiro trimestre de 2024.

"Não que os dados de hoje significarão novas altas dos juros americanos, mas pode ser que o processo de taxas elevadas se prolongue. Mas é um dado isolado, o Fed continuará olhando outros indicadores para tomar sua decisão. Será a somatória de tudo isso", avalia Mota, da Manchester.

Os investidores também ficam na expectativa de avanço da pauta econômica, dada a possibilidade de votação hoje no Senado da proposta que muda o Imposto de Renda sobre fundos exclusivos e sobre a renda obtida no exterior por meio de offshores. Ainda deve ir a plenário o projeto que regulamenta as apostas esportivas.

Nesta manhã, houve novo sinal de controle da inflação, embora o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) tenha avançado em novembro a 0,59%, de 0,50% em outubro. Em 12 meses, o IGP-M acumula queda de 3,46%, o que pode reforçar o otimismo com recuo da Selic.

Ontem, o Ibovespa fechou com alta de 0,64%, aos 126.538,32 pontos, seguindo o bom humor em Nova York. "O Índice perto dos 127 mil pontos traz otimismo de voltar ao recorde de pontuação, mas fica na dependência do cenário político e da aprovação de medidas no Congresso", diz o economista Álvaro Bandeira em comentário matinal. O recorde do Ibovespa foi registrado em 7 de junho de 2021 (130.766 pontos).

Hoje, os índices futuros sobem até 0,62% (Nasdaq), enquanto o petróleo avança em torno de 1,00%, à espera da reunião da Opep+. O minério de ferro, por sua vez, fechou em queda de 0,47% em Dalian, na China, onde há renovados temores com a situação financeira do setor imobiliário. As ações da Vale caíam 0,18%, enquanto as da Petrobras subiam moderadamente.

Às 11h17, o Ibovespa subia 0,10%, aos 126.668,09 pontos, depois de avançar 0,67%, na máxima aos 127.388,15 pontos. No mês, acumula alta de quase 12%.

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