Na contramão de NY, Ibovespa cai 0,51%, aos 127,3 mil pontos

Desconectado do sinal que prevaleceu em Nova York para S&P 500 (+0,74%) e Nasdaq (+1,68%, em nível recorde de fechamento), o Ibovespa cedeu 0,51%, aos 127.396,35 pontos, em dia de variações contidas para as ações e os setores de maior peso na B3. Entre o piso e o teto da sessão, o índice oscilou dos 127.069,43 aos 128.051,34, na máxima que correspondeu, assim como ontem, ao nível da abertura. O giro permaneceu moderado nesta quinta-feira, a R$ 19,5 bilhões. Mesmo com perdas nas duas últimas sessões, o Ibovespa ainda avança 0,47% na semana, após a boa largada na segunda e terça-feira, quando tinha subido 1,63% e 0,80%, pela ordem. No mês, acumula perda de 0,55% e, no ano, cede agora 5,06%.

Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos - referência considerada livre de risco - permaneceram hoje acima de 4,5%, com a leitura favorável sobre o índice de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em março, abaixo do esperado, proporcionando hoje pouco alívio à decepção de ontem com a inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), em nível além do que se imaginava para o mesmo mês.

Na quarta-feira, o CPI dos EUA veio como água gelada para os investidores, reduzindo as expectativas de mercado tanto para o número quanto para o momento dos cortes nas taxas de juros na maior economia do globo, aponta em nota a Janus Henderson. Por outro lado, os sinais dados nesta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE), ao manter as taxas de juros, veio com o reconhecimento de que a inflação na zona do euro está caindo.

Embora as declarações da presidente do BCE, Christine Lagarde, tenham sido "muito cautelosas", os mercados acreditam que as taxas de juros no bloco da moeda única podem cair durante o verão no hemisfério norte. "Aumenta a chance de o BCE reduzir as taxas de juros antes do Federal Reserve", acrescenta a Janus Henderson.

Na B3, contudo, prevaleceu ainda na sessão de hoje a expectativa de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos, com as projeções quanto ao início da redução da taxa do Federal Reserve passando do intervalo junho-julho para setembro. "E o Fed pode não vir tão firme nesses cortes", diz Felipe Moura, analista da Finacap, referindo-se também à transferência do consenso sobre os cortes a serem promovidos pelo BC americano do primeiro para o segundo semestre - e que podem vir ainda a ser colocados em xeque pela persistência de dados de inflação acima do esperado.

"Ainda que seja cedo para falar em revisão de cenário para os juros nos EUA, a persistência da inflação americana, especialmente no intervalo de 12 meses, liga o alerta para os gestores e alocadores de recursos. A narrativa global tem se imposto ao cenário local, sem grandes desdobramentos domésticos que possam se contrapor, no quadro macro, ao que nos chega de fora", acrescenta o analista.

Assim, sem novos catalisadores para orientar os negócios na sessão, os movimentos nas ações e nos setores de maior peso e liquidez foram relativamente discretos nesta quinta-feira na B3 - exceção para Eletrobras (ON -4,62%, PNB -4,40%), refletindo aumento da percepção de risco político e regulatório para a ex-estatal.

Os grandes bancos, por sua vez, fecharam o dia sem direção única, com BB ON e Unit do Santander avançando 0,24% e 0,66%, respectivamente. Petrobras (ON -0,90%, na mínima do dia no fechamento; PN -0,73%) e Vale (ON +0,42%) também encerraram a sessão em direções divergentes, tendo mostrado variação relativamente restrita ao longo do dia. Na ponta ganhadora do Ibovespa, destaque para 3R Petroleum (+2,57%), Alpargatas (+2,07%) e Lojas Renner (+1,95%). No lado oposto, Raízen (-4,57%) e SLC Agrícola (-4,18%), além das duas ações de Eletrobras.

"Dólar subiu e Bolsa caiu, hoje, dia em que os juros futuros no Brasil mostraram avanço, com as vendas do varejo em alta quando se esperava recuo. Economia doméstica pujante pode levar o Copom a uma pausa ou a um ciclo de cortes de juros mais curto, considerando o horizonte até o fim do ano. Recados do Fed também têm sido no sentido de que juros cairão apenas em setembro, com apenas um ou dois cortes na taxa dos Estados Unidos este ano", diz Gabriel Meira, economista da Valor Investimentos.