87% das mulheres no Vale do Silício ouvem comentários degradantes no trabalho

Os homens do Vale do Silício não sabem disso, mas estão sendo preconceituosos com suas colegas de trabalho, de acordo com a pesquisa "Elephant in The Valley" (Elefante no Vale, fazendo referência à expressão "elefante na sala" – uma situação constrangedora que os envolvidos tendem a ignorar).

Realizada depois do desdobramento do caso de Ellen Pao, ex-CEO interina do Reddit, que entrou com um processo por descriminação de gênero contra a Kleiner Perkins em 2012 – e que foi a julgamento em fevereiro do ano passado. "Percebemos que ainda que muitas mulheres estejam familiarizadas com as histórias [citadas no julgamento], a muitos homens ficaram chocados e não sabiam dos problemas que as mulheres enfrentam no ambiente de trabalho", diz a descrição da pesquisa, que pode ser vista neste link.

Como recorte, as mulheres entrevistadas têm, em sua maioria, 10 anos ou mais de experiência no mercado, sendo que 91% delas estão na área do Vale do Silício; 77% têm mais de 40 anos e 75% são mães. Quase todas possuem posições de liderança: 25% CXOs, 11% fundadoras das empresas e 11% são investidoras.

Entre as descobertas, dados alarmantes: 88% das mulheres entrevistadas já foram preteridas em questões que as concerniam, ou seja, perguntas que deveriam ser destinadas a elas eram feitas a seus colegas homens. Além disso, 87% já escutaram comentários degradantes de colegas de trabalho e 84% notaram que as pessoas faziam contato visual com os homens e não com elas.

Um dos casos que Pao levou aos tribunais em 2012 dizia que ela era a escolhida para tomar notas em reuniões de alto escalão, ainda que sua posição fosse a mesma ou superior à dos homens da sala. Neste sentido, 47% das pesquisadas disseram que precisaram realizar tarefas que seriam de responsabilidade de pessoas com cargos inferiores.

Outro comportamento muito comum é o das pessoas que sugerem que mulheres em posições de liderança devem agir de uma maneira específica ou ter determinada personalidade. Das entrevistadas, 84% já tiveram que escutar que são "muito agressivas", e metade dessa porcentagem já ouviu este comentário mais de uma vez, algo que não costuma acontecer com seus colegas do sexo masculino, simplesmente porque a liderança deles não é questionada.

O número mais alarmante da pesquisa é o de comportamentos rotineiros: 90% das mulheres na pesquisa já presenciaram comportamentos sexistas no ambiente de trabalho e/ou conferências da indústria.

O site, elephantinthevalley.com, é colaborativo: qualquer mulher que tenha passado por uma das situações descritas pode adicionar relatos, em inglês, para ajudar no diálogo e na compreensão, principalmente de homens que não percebem seus erros comportamentais.

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