Dólar fecha mês a R$ 4,00: o que explica a moeda não ter disparado em fevereiro?

SÃO PAULO - Se em janeiro o dólar atingiu seu maior valor na história, fevereiro foi um mês de maior calmaria no mercado cambial, com a moeda andando praticamente de lado. Ainda nos primeiros dias do mês, uma série de fatores levaram a moeda a cair forte, voltando para R$ 3,90 e desde então não houve um grande evento que justificasse uma disparada. Reagindo a fatores pontuais, a divisa encerrou este mês com alta de 1,12%, cotada a R$ 4,0012 na compra e R$ 4,0035 na venda.

Em geral, o que explica a pouca mudança de preço do dólar nestes 29 dias é o cenário externo, onde a China, Japão e as commodities (com uma recuperação do petróleo) tiveram grande importância nas cotações diárias. Mais recentemente, segundo o Itaú Unibanco, o  movimento acompanhou o mercado internacional, que reagiu bem à sinalização chinesa de compromisso com a estabilização da moeda e com novas medidas de expansão fiscal, segurando a divisa.

Porém, um dos principais pontos que ajudou foi a decisão do Japão de reduzir as taxas de juros para -0,1%.  Segundo o diretor da mesa de operações da Mirae Asset Wealth Management, Pablo Spyer, isso favorece uma operação conhecida como  "carry trade". Basicamente, o  investidor toma dinheiro a uma taxa de juros em um país e aplica em outro que possui taxas de juros mais altas, fazendo uma espécie de arbitragem.

Além disso, ajuda para uma queda do dólar no mundo todo a expectativa de que o Federal Reserve não suba os juros tão cedo - com chance até de corte das taxas segundo alguns especialistas.  Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch chegou a sugerir que, se a economia americana se enfraquecer, o Fed poderia considerar taxas negativas como medida de estímulo. A presidente do Fed, Janet Yellen, destacou recentemente a fragilidade da economia dos EUA, apesar de não descartar novas altas de juros nos próximos meses.

Por fim, apesar de um aumento da pressão por conta das discussões políticas, dados recentes do governo ajudaram para um ajuste técnico do preço da moeda. Um caso é a virada de um  déficit de US$ 4 bilhões da balança comercial em 2014 para um superávit de US$ 24 bilhões atualmente. Por sua vez, o déficit em conta corrente diminuiu de US$ 104 bilhões (4,3% do PIB) para US$ 59 bilhões (3,3% do PIB).

"Este ajuste rápido fez com que as contas externas destacam-se como um relativamente positivo aspecto da economia brasileira, que ainda inclui os níveis de reserva robustos". Com isso, houve um limite para a depreciação do real, disse o economista da Nomura, João Pedro Ribeiro.

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