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Após decepção com lucro, analistas dão motivos para se animar com o balanço da Petrobras

SÃO PAULO - A Petrobras informou que seu lucro líquido ajustado no segundo trimestre foi de R$ 370 milhões, revertendo as perdas de R$ 1,24 bilhão dos primeiros três meses deste ano, mas que corresponde a uma queda de 30,3% em comparação com o segundo trimestre do ano passado.

O resultado veio abaixo do que esperava a mediana das oito casas de análise consultadas pela Bloomberg, em R$ 2,01 bilhões. Mas o que os especialistas acharam do balanço? Para entender como o mercado deve digerir os números apresentados pela estatal, o InfoMoney compilou as principais avaliações dos analistas. Veja a seguir:

Santander

"A Petrobras reportou resultados operacionais que, quando ajustados a eventos não-recorrentes, superaram em 3% nossas expectativas, impulsionados por solido desempenho no refino além da recuperação do segmento de exploração e produção, com os preços do petróleo mais elevados", observaram os analistas Christian Audi e Gustavo Allevato.

Eles chamam atenção para uma queda na razão dívida/Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 5x para 4,5x, sobretudo devido à valorização do real ante o dólar, a elevação no Ebitda e uma redução significativa no nível de investimentos, de R$ 17,1 bilhões no ano passado para R$ 11,1 bilhões neste ano.

"Nós acreditamos que a companhia continuará movendo-se adiante com seu plano de desinvestimentos, que, na nossa visão, segue sendo chave para ela atingir seu mais importante objetivo de desalavancagem", escreveram em relatório a clientes, reiterando visão positiva para as ações, com preço-alvo de US$ 10,00 para os ADRs (American Depositary Receipts), hoje na casa dos US$ 8,67.

BTG Pactual

"Esse relatório de resultado trimestral foi praticamente limpo. Considerando o tamanho e a complexidade da Petrobras, os ajustes necessários para entender o quadro geral não eram tão importantes. Alguns custos extraordinários de impairment, outros valores a receber e custos não-recorrentes associados a demissões foram os únicos itens não-recorrentes desta vez", escreveram os analistas Antonio Junqueira, Gustavo Castro e Andres Cardona em relatório a clientes.

Os especialistas destacam que, tendo em vista os objetivos estabelecidos, o programa de desinvestimentos ainda tem muito a fazer. "Algumas surpresas, porém, tem chegado e a administração tem sido capaz de desbloquear valor. Carcará foi a melhor jogada na nossa avaliação, com campo que estava longe de ser produtivo. As vendas da Liquigás pode chegar a múltiplos muito atraentes. Esperamos que a tendência continue", observaram.  Apesar de lerem uma tendência positiva após o sólido trimestre, eles mantiveram avaliação neutra para as ações. O preço-alvo para os ADRs fixado para os próximos 12 meses é de US$ 7,60.

Bradesco BBI

O resultado da Petrobras não trouxe grandes surpresas, com impairments prejudicando números mais positivos na última linha do balanço (lucro líquido), colocando em risco a distribuição de dividendos. Os analistas Filipe Gouveia e Osmar Camilo também chamaram atenção para a redução no nível de endividamento em relação ao Ebitda e o avanço no fluxo de caixa, graças aos cortes no capex (capital expenditure).

Após os números apresentados, os especialistas mantiveram avaliação outperform para as ações da estatal, com preço-alvo para os papéis preferenciais de R$ 15,00, o que corresponde a um upside de quase 25%. Eles vislumbram uma boa relação entre risco e remuneração pelo investimento, baseada em três pilares: uma estrutura de capital equilibrada em curso, fruto de um crescimento no faturamento, cortes de capex, desinvestimentos mais elevados e rolagem da dívida; uma melhoria na regulação; e riscos de deterioração limitados.

XP Investimentos

"O lucro líquido veio abaixo das expectativas, porém, vale ressaltar o fluxo de caixa positivo da companhia, a redução da alavancagem da empresa, e que foram dois eventos não recorrentes (baixa contábil do  Comperj  e o plano de demissão voluntária) que afetaram negativamente o lucro", explicou a equipe de análise da XP Investimentos em relatório a clientes.

Eles também chamaram atenção para a redução de 30% nas despesas financeiras líquidas da companhia do primeiro para o segundo trimestre deste ano, além de um crescimento de 7% na produção total de petróleo e gás natural no mesmo período e o incremento na receita com aumento de 14% nas exportações de petróleo e derivados.

"A tendência para a empresa é positiva, com redução da sua alavancagem, geração de caixa positiva e venda de ativos. Nossa visão segue positiva com o ativo", concluíram.

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