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Volks, BMW, Hugo Boss: essas e outras gigantes ajudaram Alemanha nazista

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

  • Reuters

A violência vista nas ruas de Charlottesville, nos EUA, que deixou uma pessoa morta, no mês passado, levantou o alerta contra a ascensão de simpatizantes do nazismo no país. Houve pessoas fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

Com o episódio, ressurgiram debates na internet sobre as características do nazismo e suas consequências.

Na economia, grandes multinacionais alemãs de sucesso, famosas e presentes até hoje, tiveram relação com esse sistema totalitário entre os anos 30 e 40 do século passado. Elas admitem que se beneficiaram de políticas do governo nazista, ou mesmo da proximidade com seus líderes, e hoje lamentam a situação no passado.

Volkswagen, BMW e Mercedes usaram trabalhadores forçados de campos de concentração durante o regime nazista na Alemanha. A grife Hugo Boss confeccionou uniformes para o exército alemão antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O Deutsche Bank confiscou bens de judeus no mesmo período e vendeu ouro de vítimas do Holocausto.

Muitas dessas empresas financiaram estudos para revelar fatos obscuros do próprio passado e pagaram compensações a vítimas do Holocausto por meio da "Erinnerung, Verantwortung, Zukunft" (Lembrança, Responsabilidade e Futuro), fundação criada no final dos anos 1990 por empresas alemãs e o governo do país com o objetivo de indenizar escravos, trabalhadores forçados e outras vítimas do nazismo.

Empresas de outras nacionalidades também tiveram alguma relação com o nazismo em sua história.

Confira o que algumas companhias que já existiam naquela época dizem sobre sua atuação na Alemanha nazista.

Volkswagen usou trabalho forçado

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Propaganda alemã de 1938 do KdF, que no Brasil ficou conhecido como Fusca

A Volkswagen nasceu sob o nazismo, a partir de um ícone que seria muito popular nas décadas após o final da guerra: o Fusca.

Em 1986, o grupo Volkswagen financiou uma pesquisa sobre o período nazista, feita por uma equipe liderada pelo historiador Hans Mommsen. Ela deu origem ao livro "A Fábrica da Volkswagen e seus Trabalhadores no Terceiro Reich", publicado em 1996.

De acordo com Mommsen, a Associação da Indústria Automobilística do Reich encomendou ao engenheiro Ferdinand Porsche, em 1934, o desenvolvimento de um "volkswagen" (um "carro do povo").

Em 1937, a DAF (Deutsche Arbeitsfront, ou Frente Trabalhista Alemã) tomou conta do projeto, que daria origem ao carro KdF (Kraft durch Freude, ou Força Através da Alegria), o popular Fusca.

Reprodução
Hitler (de roupa clara) visita fábrica da Volkswagen em junho de 1939

Para a execução, foi projetada uma "fábrica modelo" que seria capaz de produzir até 1,5 milhão de carros por ano. A construção e a operação ficariam a cargo da Volkswagenwerk, subsidiária da DAF fundada em 1938. Por causa do início da Segunda Guerra Mundial, porém, a fábrica não chegou a ser totalmente finalizada.

Com a guerra, a produção de carros civis deixou de ser uma prioridade da Volkswagen e a companhia teve que fazer armamentos também.

Mesmo durante a construção da fábrica, havia falta de trabalhadores, levando a empresa a utilizar mão de obra estrangeira, vinda da Holanda, Itália, Bélgica e Dinamarca. Em 1940, chegaram 300 polonesas, as primeiras trabalhadoras forçadas do local.

Logo, a Volkswagen passou a basear grande parte de sua mão de obra no trabalho forçado, entre prisioneiros de guerra, civis estrangeiros e pessoas que estavam presas em campos de concentração.

Em 1944, 11.334 das 17.365 pessoas que trabalhavam na fábrica eram trabalhadores forçados de diferentes nacionalidades, entre civis e prisioneiros de guerra. É estimado que 5.000 prisioneiros de campos de concentração foram forçados a trabalhar na Volkswagen durante a Segunda Guerra.

Após a guerra, entre 1945 e 1949, a Volkswagen ficou sob domínio dos ingleses, até ser transferida para o governo federal alemão. Na sede alemã há uma exposição permanente sobre o período nazista.

"O período de tirania nazista infligiu sofrimento indescritível em milhões de pessoas inocentes. Assim como muitas outras companhias industriais que converteram sua produção para a economia de guerra, a fábrica da Volkswagen também empregou trabalhadores forçados que trabalharam sob condições terríveis", afirmou a companhia em um comunicado de 1986.

"O Conselho de Administração, a Comissão de Trabalhadores e a força de trabalho do grupo Volkswagen consideram seu dever ajudar a garantir que a injustiça, a violência e o fomento de ódio racial e étnico nunca mais suplantem a justiça e a paz", afirmou.

Comandante nazista trabalhou no Brasil

Em julho deste ano, um jornal alemão publicou a história de que Paul Stangl, ex-comandante de dois campos de extermínio na Polônia, trabalhou por oito anos na Volkswagen do Brasil, entre 1959 e 1967.

A empresa diz que não sabia do passado de Stangl na época em que o empregou. 

VW e a ditadura militar brasileira

Recentemente, a Volkswagen patrocinou outro estudo sobre seu passado.

No final de 2016, o grupo nomeou o historiador independente Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, para conduzir um estudo sobre o papel da empresa durante o regime militar no Brasil.

A imprensa alemã divulgou que a filial brasileira da Volkswagen colaborou com a ditadura na perseguição a opositores políticos, e essa conclusão faz parte do estudo, de acordo com as reportagens.

"O relatório foi apresentado no final de julho e a empresa ainda quer analisar o resultado das investigações antes de comentar e apresentar suas conclusões", afirma a Volkswagen.

BMW empregou prisioneiros

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Fábrica da BMW em 1942; empresa usou trabalho forçado durante período nazista

Diferentemente da Volkswagen, a BMW foi fundada antes da ascensão do nazismo. Mas, nos anos 1930 e 1940, o grupo funcionou apenas como fornecedor de equipamentos para a indústria alemã de armamentos.

A empresa admite que usou trabalhadores forçados e prisioneiros de campos de concentração na fabricação de motores de avião.

"Até hoje, o enorme sofrimento que isso causou e o destino de muitos trabalhadores forçados seguem sendo uma questão do mais profundo arrependimento", afirmou a companhia em comunicado de 2016.

Disse ainda que, desde os anos 1980, publicou livros e documentos revelando detalhes de seu passado. "O Grupo BMW está encarando explicitamente esse capítulo sombrio de seu passado", afirma, também dizendo que ajudou a fundar a organização "Lembrança, Responsabilidade e Futuro", que indeniza trabalhadores forçados durante o nazismo.

Mercedes fez equipamentos para exército nazista

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Caminhão Mercedes-Benz L 4500, de 1945; empresa produziu veículos para o exército

O grupo Daimler-Benz, dono da Mercedes, também produziu automóveis e motores de avião para o exército nazista e utilizou trabalhadores forçados para isso.

Além do aumento da demanda, muitos funcionários das fábricas foram recrutados para lutar na guerra, segundo a empresa, o que gerou falta de mão de obra.

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Fábrica da Daimler-Benz na cidade alemã de Sindelfingen, em 1944, onde foi usado trabalho forçado durante a Segunda Guerra

Inicialmente, a Daimler-Benz recrutou mulheres para a tarefa. Na sequência, apelou para o uso de prisioneiros de guerra e vítimas de campos de concentração.

"Trabalhadores da Europa Oriental e prisioneiros de guerra eram alojados em barracões com condições precárias, como de prisões. Presos de campos de concentração eram monitorados pela SS sob condições desumanas. Eles eram 'emprestados' para as empresas em troca de dinheiro", afirma a companhia.

Em 1944, 63.610 pessoas trabalhavam para a Daimler-Benz, sendo que quase metade era formada por trabalhadores forçados.

A Daimler-Benz afirma que admitiu seu vínculo com o regime nazista e ajudou financeiramente vítimas do nazismo, além de participar da fundação "Lembrança, Responsabilidade e Futuro" e projetos de memória do período, incluindo no museu da Mercedes-Benz na Alemanha .

"Nada pode desfazer os horrores do Nacional Socialismo, a Daimler AG sabe bem disso. A companhia assumiu uma responsabilidade histórica e moral pelas práticas de trabalho forçado em suas fábricas durante o regime do Nacional Socialismo e pelo seu envolvimento com o injusto regime", afirma em nota.

Audi fez armamentos

Divulgação/Audi AG
Richard Bruhn é apontado como um dos responsáveis pelo uso de trabalho forçado pela Auto Union

Em 1932, as montadoras alemãs Audi, DKW, Horch e Wanderer se uniram, formando a Auto Union, a segunda maior produtora de automóveis do país, segundo informações da própria empresa. As marcas, porém, foram mantidas, cada uma produzindo veículos para um segmento diferente.

Entre 1933 e 1939 a companhia teve uma grande expansão, quase quadruplicando sua produção de carros, e sua mão de obra cresceu de 8.000 pessoas para 23 mil.

Com a Segunda Guerra, porém, a empresa reduziu a produção de veículos para uso civil ao mínimo, passando a produzir armamentos.

Um estudo sobre seu passado divulgado em 2014 revelou dados sobre o uso de trabalho forçado pela Auto Union.

Na primavera de 1945, a Auto Union tinha aproximadamente 17.300 trabalhadores forçados e mais 3.700 prisioneiros de campos de concentração trabalhando nas fábricas, de acordo com a empresa.

O estudo financiado pela Audi revelou que Richard Bruhn, então presidente do Conselho de Administração da Auto Union, foi o responsável direto pelo uso de trabalho forçado naquele período.

Ao final da guerra, a companhia foi expropriada e liquidada pelo exército soviético.

Bruhn liderou a reconstrução da Auto Union no pós-guerra, quando foi refundada na cidade de Ingolstadt em 1949. Ele foi presidente do Conselho de Administração da Auto Union entre 1949 e 1956, quando se aposentou.

Em 1965, a empresa passou a fazer parte do grupo Volkswagen e, em 1985, deixou de lado o Auto Union e mudou de nome para Audi AG.

Em contato com o UOL, a Audi disse que não tinha nenhum comentário adicional a respeito do estudo histórico sobre seu passado.

Hugo Boss fez roupas para o partido nazista

Don Emmert/AFP
Hugo Boss forneceu uniformes para o exército alemão durante a Segunda Guerra

A grife foi fundada por Hugo Ferdinand Boss em 1924. Um dos primeiros grandes trabalhos encomendados a ela foi uma leva de camisas para o distribuidor têxtil Rudolf Born, de Munique.

Reprodução
Hugo F. Boss, em foto de sua carteira de membro do Partido Nacional Socialista

A remessa incluía algumas camisas marrons para o Partido Nacional Socialista, o partido nazista, ao qual Hugo Boss se filiaria em 1931, segundo estudo da própria companhia.

De acordo com os historiadores, é provável que Hugo Boss não soubesse o destino das primeiras peças naquele momento, mas, mesmo assim, na década de 1930, anunciava sua empresa como "fornecedora de equipamento para o Partido desde 1924".

Durante a Segunda Guerra, a empresa produziu uniformes para o exército nazista e grupos ligados ao partido, como a Waffen-SS, braço armado da SS que também era responsável pela vigia em campos de concentração, de acordo com relatos de testemunhas da época.

No período, a empresa usou mão de obra de 140 trabalhadores forçados, a maioria mulheres. Por alguns meses, entre 1940 e 1941, 40 prisioneiros de guerra franceses também trabalharam no local.

A empresa afirmou, em seu site, que "expressa o seu profundo pesar por aqueles que sofreram danos ou dificuldades na fábrica administrada por Hugo Ferdinand Boss sob o regime Nacional Socialista".

Bayer, Basf e o gás usado em campos de concentração

Reprodução
Executivos da I.G. Farben foram julgados em Nuremberg em 1947

Em 1925, as gigantes químicas Bayer e Basf se fundiram com outras quatro empresas, formando a I.G. Farbenindustrie.

A I.G. Farben também usou trabalho forçado em suas fábricas alemãs durante o regime nazista, incluindo cerca de 4.500 pessoas vindas de campos de concentração, de acordo com o livro "The Bayer Story. Milestones 1863-1988", sobre a história da Bayer. Escrita pelo jornalista Erik Verg, a obra foi encomendada pela própria Bayer.

Em 1940, a I.G. Farben recebeu ordens para construir uma fábrica de borracha e combustível próxima ao campo de concentração de Auschwitz.

Segundo a Conferência sobre Reivindicações Materiais Judaicas Contra a Alemanha, cerca de 38 mil prisioneiros, a maioria judeus, foram forçados a trabalhar na construção do local entre 1941 e 1945. Quando não conseguiam mais trabalhar, eram executados no campo de concentração. Calcula-se que mais de 30 mil morreram.

Nas unidades da I.G. Farben que pertenciam à Basf antes da fusão, não houve uso de trabalho de prisioneiros de campos de concentração, segundo a própria Basf, apenas de "trabalhadores civis de toda a Europa e prisioneiros de guerra, quando os trabalhadores alemães foram convocados para o serviço militar."

Após a guerra, executivos da companhia foram julgados por crimes praticados durante o regime nazista, incluindo o uso de trabalho forçado.

Entre as acusações, estava a de que a I.G. Farben teria fornecido o inseticida Zyklon B para os campos de concentração, onde o gás tóxico seria usado para exterminar prisioneiros.

Eles, porém, foram inocentados dessa acusação, de acordo com a obra de Verg, porque o veneno seria produzido pela empresa de inseticidas Degesch. A I.G. Farben tinha participação na Degesch, mas não tinha poder de influência na administração da empresa, segundo o livro.

Após a guerra, a I.G. foi dividida em 12 companhias, incluindo a Bayer e a Basf.

A Basf disse ao UOL que uma das ações de reparação àquele período foi ajudar a organização "Lembrança, Responsabilidade e Futuro", contribuindo com dinheiro para indenizar trabalhadores forçados durante o nazismo.

A Bayer, que também colaborou com a entidade, não fez comentários adicionais sobre sua atuação nos anos nazistas.

Siemens beneficiada pela política econômica nazista

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Fábrica da Siemens em Berlim após um ataque aéreo em 1944

Outra indústria alemã que admite o uso de trabalho forçado durante a Segunda Guerra Mundial é a Siemens.

A Siemens diz ter usado o trabalho forçado de pelo menos 80 mil pessoas entre 1940 e 1945, sendo 5.000 vindos de campos de concentração, como os de Ravensbrück, Auschwitz-Bobrek, Flossenbürg, Buchenwald e Gross-Rosen.

Ao final de 1944, no auge da Segunda Guerra, a companhia tinha 244 mil trabalhadores. Desse número, 50 mil eram forçados.

Na década de 1930, a empresa também foi beneficiada pela política econômica do regime nazista, que tinha o objetivo de combater o desemprego do país e militarizar a economia.

Para isso, o governo fez grandes investimentos em diversos setores, incluindo o elétrico, principal área de atuação da Siemens naquela época.

"A direção e os funcionários atuais da companhia lamentam profundamente que a Siemens tenha empregado pessoas contra sua vontade em uma época em que a companhia estava integrada à economia de guerra do injusto regime Nacional Socialista", afirmou a empresa em nota de 2015, quando completaram-se 70 anos da liberação do campo de concentração de Auschwitz pelo exército soviético.

Ela ainda disse ter "reconhecido sua responsabilidade" contribuindo com entidades de assistência a vítimas do nazismo e também com memoriais do Holocausto.

Diretor da Dr. Oetker levantou fundos para pesquisas raciais

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Livro revelou detalhes da relação entre executivos da Dr. Oetker com o nazismo

A empresa de alimentos Dr. Oetker também financiou um estudo jogando luz sobre sua atuação durante o nazismo, que deu origem ao livro "Dr. Oetker e o Nacional Socialismo. História de um negócio familiar 1933-1945", publicado em 2013.

De acordo com a obra, a empresa tinha laços estreitos com o nazismo. Ela se tornou uma das primeiras "empresas modelo do Nacional Socialismo", sob a liderança de seu diretor executivo, Richard Kaselowsky.

Kaselowsky era membro de um grupo de industriais que levantou fundos para pesquisas raciais no regime nazista.

Rudolf-August Oetker, enteado de Kaselowsky e seu sucessor na direção da empresa, treinou na Waffen-SS, onde também liderou o departamento administrativo, antes de assumir o comando dos negócios da família.

Mesmo antes da guerra, a empresa lucrou com a militarização da Alemanha, fornecendo alimentos para as forças armadas e também com o processo de "arianização" de propriedades de judeus, de acordo com o livro.

H.C. August Oetker, descendente da família e atual presidente do Conselho Consultivo da empresa, afirmou na época do lançamento do livro que o estudo "trouxe à luz muitos fatos desconhecidos por nós".

"Nós, como uma família, devemos aceitar que indivíduos agindo naquele tempo aprovaram e deram suporte ao sistema e, em alguns casos, tomaram decisões que hoje nós gostaríamos que eles tivessem decidido de maneira diferente", afirmou em nota divulgada pela companhia.

Além do estudo, o conselho da empresa também ordenou, em 2015, uma auditoria em sua coleção particular de obras de arte, que inclui cerca de 4.500 peças, adquiridas principalmente por Rudolf-August Oetker.

Entre os itens estavam obras que foram confiscadas de judeus pelos nazistas. Até agora, quatro obras foram devolvidas a seus herdeiros de direito.

Deutsche Bank confiscou bens de judeus

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Boletim de notícias de uma organização de trabalhadores da Alemanha nazista para o Deutsche Bank

Instituições financeiras que já atuavam na época também admitem erros durante o regime nazista, inclusive por terem confiscado bens de judeus, seguindo a lei criada na época.

O Deutsche Bank afirma que começou demitindo seus funcionários judeus, passando na sequência para a "arianização" de empresas, ou seja, a passagem do controle delas para quem não fosse judeu.

"Essa expulsão da população judaica dos negócios da nação chegou ao seu auge em 1938, quando, após uma série de leis e decretos, judeus foram proibidos de participar de qualquer atividade econômica", afirma estudo histórico do banco, que admite ter se envolvido em pelo menos 363 processos de "arianização".

Em 1938, o governo nazista começou a sistematicamente monitorar e congelar bens de judeus, afetando clientes do Deutsche Bank e outros bancos.

Até o final da guerra, quase todos os bens e depósitos de clientes judeus tinham sido transferidos para o Reich, segundo o banco.

O Deutsche Bank também se envolveu no comércio de ouro entre 1942 e 1944. No período, o banco comprou 4.446 kg de ouro do banco central alemão e vendeu em Istambul, capital da Turquia, país que ficou neutro durante a guerra e onde o Deutsche Bank tinha uma filial.

Pelo menos 744 quilos desse ouro vieram de vítimas do Holocausto, segundo pesquisa histórica, mas o Deutsche Bank afirma que não é claro se o banco sabia disso naquela época.

"O Deutsche Bank reconhece a sua responsabilidade ética e moral. É por isso que não apenas esteve envolvido na fundação 'Lembrança, Responsabilidade e Futuro', formada em conjunto por empresas alemãs e o governo federal, como também está fazendo todos os esforços para ter seu próprio passado reavaliado de forma completa e crítica", afirma em seu site.

Máquinas da IBM para catalogar prisioneiros em campos

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Sistema precursor dos computadores criado no século 19 usava cartões perfurados

Mesmo empresas de outros países foram acusadas de se envolver com o regime nazista.

Uma delas é a gigante americana de tecnologia IBM, que produzia as máquinas Hollerith. Consideradas precursoras dos computadores modernos, elas foram criadas no final do século 19 para o censo nos EUA e computavam dados usando um sistema de cartões perfurados.

Segundo o livro "IBM e o Holocausto", de Edwin Black, lançado em 2001, os nazistas usaram esses equipamentos para a contagem, organização e sistematização de dados de prisioneiros de campos de concentração. O autor ainda acusa a IBM de envolvimento direto no Holocausto, porque a sede da companhia saberia desse uso, de acordo com ele.

Em comunicado da época, a IBM chamou as acusações de "especulação" e afirmou que a pesquisa e conclusões do livro são questionáveis.

Na nota, ela admite que os nazistas usaram máquinas Hollerith produzidas por sua subsidiária alemã, a Dehomag (Deutsche Hollerith Maschinen), na década de 1930.

A IBM afirma, porém, que a Dehomag ficou sob controle nazista antes e durante a Segunda Guerra, assim como ocorreu com outras empresas estrangeiras que operavam na Alemanha naquela época.

"A IBM não tem muita informação sobre esse período ou sobre as operações da Dehomag. A maioria dos documentos foi destruída ou se perdeu durante a guerra. Os documentos que existiam foram colocados em domínio público há algum tempo para auxiliar pesquisas históricas", afirma na nota.

Fanta foi criada na Alemanha nazista

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A Fanta surgiu na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial

Ainda que nesse caso não exista uma relação direta com o governo nazista, nem notícia sobre crimes cometidos pela empresa durante a Segunda Guerra, vale como curiosidade. A Fanta, refrigerante da Coca-Cola, nasceu na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941.

Por causa do conflito, a Coca-Cola alemã tinha dificuldades para receber o concentrado necessário para preparação do refrigerante que leva o nome da empresa.

Diante do problema, o chefe de operações da bebida, Max Keith, criou um novo refrigerante, a Fanta, usando a matéria-prima que tinha à disposição, segundo o site da empresa.

A Fanta original, porém, não era de laranja. Entre os insumos utilizados estavam a fibra de maçã e o soro de leite.

Memorial do Holocausto busca nomes de vítimas desaparecidas do nazismo

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