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MPT e agências firmam pacto por mais negros no mercado publicitário

Piloto do projeto "Conexão Negra" foi realizado no Grupo Cultural Ilê Aiyê, em Salvador, durante três meses - Mario Augusto Santos Souza/Divulgação
Piloto do projeto "Conexão Negra" foi realizado no Grupo Cultural Ilê Aiyê, em Salvador, durante três meses Imagem: Mario Augusto Santos Souza/Divulgação

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/09/2019 04h00Atualizada em 23/09/2019 21h32

Um pacto firmado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e por 15 das maiores agências de propaganda do país busca mais espaço para profissionais negros no mercado publicitário nacional. O documento foi assinado formalmente hoje, durante o Festival do Clube de Criação, em São Paulo.

As agências que assinaram o pacto são: Africa, Artplan, FCB, F/Nazca S&S, DPZ&T, Wunderman Thopmson, Leo Burnett Tailor Made, Mutato, Ogilvy, Publicis, SunsetDDB, Talent Marcel, Tribal, WMcCann e Y&R. O documento também tem a participação da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), do Meio & Mensagem e da Editora Referência, que publica o jornal Propaganda & Marketing.

As agências precisarão elaborar um censo de empregados, com recorte de raça/cor e gênero, de forma global e com indicadores de gerência e diretorias, possibilitando a criação de um Observatório permanente. Também precisarão divulgar um organograma da empresa para todos os trabalhadores, com informações de raça/cor e gênero nos cargos, funções, gerências e diretorias.

Adesão ao projeto é voluntária

Nos últimos seis meses, o MPT fez reuniões com o RH das agências para apresentar o projeto, capitaneado pela procuradora do trabalho Valdirene de Assis. A adesão ao projeto é voluntária. Em seguida, o acordo foi assinado pelos presidentes e CEOs de cada empresa.

"A adesão não é coercitiva. Faz parte de um esforço grande de diálogo das agências e das associações. Temos que trabalhar na construção da inclusão e acolhimento destes profissionais ao lado dos responsáveis pelas agências", declarou Valdirene, coordenadora nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) do MPT.

O documento lista ações que podem direcionar o trabalho das agências, como campanhas internas, capacitações profissionais, ações de educação para lideranças e recrutadores, além de processos seletivos direcionados. O trabalho das agências será acompanhado pela promotoria do trabalho, com reuniões periódicas, relatórios semestrais e uma avaliação final.

"A publicidade é um segmento muito estratégico. Quando o setor adere ao pacto, a mensagem é de que a inclusão é possível, um ideal que pode se materializar. Temos informações enviadas por coletivos de publicitários negros que afirmam que algumas contratações já estão acontecendo. A confiança no êxito do projeto é muito grande", afirmou a procuradora, gerente do projeto social pela inclusão de jovens negras e negros no mercado de trabalho.

Projeto-piloto qualificou 82 jovens de Salvador

O compromisso das agências passa por ajudar a qualificar jovens negros na profissão e, para isso, foi criado o programa "Conexão Negra". O piloto foi realizado em Salvador (BA), entre maio e setembro. Durante três meses, 82 jovens participaram de palestras e aulas com publicitários de agências como Africa, Converse, Morya, Mutato, SLA e Y&R.

Os encontros foram na sede do Grupo Cultural Ilê Aiyê, com apoio do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado da Bahia (Sinapro/Bahia), Cáritas Brasileira, Pacto Global e ONU Mulheres. A entrega dos certificados aconteceu no sábado (14).

As próximas edições do "Conexão Negra" devem acontecer em São Paulo e no Rio de Janeiro.

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