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Guedes vai zerar imposto de produto médico e diz que "examina" liberar FGTS

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

13/03/2020 10h14Atualizada em 13/03/2020 16h31

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje que vai zerar os tributos de importação de produtos médicos para auxiliar no combate ao coronavírus, que "examina" liberar mais saques do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e retardar o recolhimento de impostos sobre a folha de pagamentos para dar fôlego a empresas.

Na véspera, o governo anunciou que vai antecipar para abril o pagamento de metade do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, que normalmente acontece em agosto, além de suspender por 120 dias a prova de vida para segurados do INSS.

Na mesa do time econômico também está a análise do que pode eventualmente ser feito em relação a recursos não sacados do Pis/Pasep.

Troca de farpas com Maia

Guedes disse, ainda, que o governo irá anunciar novas medidas ao longo dos próximos dias e cobrou do Congresso a aprovação de reformas. Foi uma resposta às declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que disse, em entrevista à Folha, que o plano de Guedes tem 'quase nada' para combater crise do coronavírus.

No início desta semana, o governo ainda estava tomando conhecimento da dimensão da crise, razão pela qual os anúncios ganharão força a partir de agora, disse Guedes. "De hoje para segunda-feira vai sair muito mais coisa. Os bancos públicos estão aí porque estamos conversando sobre tudo isso. Em menos de 48 horas nós vamos reagir", disse.

"Agora, temos que saber se o Congresso vai liberar [a reforma do] saneamento, a privatização da Eletrobras, que são recursos públicos que precisamos para retomar os investimentos. Nós listamos 16 projetos que podem acelerar o crescimento do Brasil", disse.

Ele voltou a reforçar que as reformas são cruciais para o crescimento econômico engatar. "Nós estamos reagindo em 48 horas. Eu gostaria que as principais lideranças políticas do Brasil reagissem também com muita velocidade com as nossas reformas para reforçar a saúde econômica do Brasil", disse.

Coronavírus é 'onda forte' que 'vamos furar'

Segundo Guedes, ele tem recebido críticas de que esses projetos não têm relação com o combate ao coronavírus. O ministro discordou dessa avaliação e disse que o surto não pode "derrubar" a economia brasileira.

"São dois problemas diferentes. Um é a dimensão pública, de saúde pública. Para esse, já soltamos R$ 5 bilhões e vem mais R$ 5 bilhões. Pega esse dinheiro da disputa política e vamos usar para a saúde. Precisamos das reformas", disse.

O ministro avaliou que essa crise com o coronavírus é passageira e deve acabar em quatro ou cinco meses, mas que o problema do Brasil é muito mais profundo, com uma economia que está estagnada. "Se nós aprovarmos medidas só para consumo, você não consegue crescer", afirmou.

"Pra crescer você precisa de recurso pra investimento, então nós precisamos destravar a pauta do Congresso, que tem marcos regulatórios para saneamento, para infraestrutura, para cabotagem, tudo isso é impacto de investimento. Nós precisamos avançar a saúde do organismo brasileiro, da economia brasileira. O coronavírus é onda forte, mas nós vamos furar essa onda e vamos sair do lado de lá."

(Com agências)

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