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Contra discurso de ódio, movimento pede que marcas não anunciem no Facebook

Robert Cheaib/Pixabay
Imagem: Robert Cheaib/Pixabay

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/06/2020 13h41Atualizada em 23/06/2020 21h34

Lançado no começo da semana passada, o movimento Stop Hate For Profit (pare de dar lucro ao ódio, em tradução livre) pede a empresas que deixem de anunciar no Facebook durante o mês de julho.

A iniciativa, que foi criada por seis grupos norte-americanos de direitos civis, exige que a rede social seja "menos complacente" com mensagens de ódios publicadas na plataforma. Entre as empresas do Facebook estão também o Instagram e o WhatsApp.

A Ben & Jerry's anunciou nesta tarde que fará parte do boicote. A marca de sorvetes da Unilever afirmou que irá interromper toda a publicidade nas empresas do grupo a partir de 1° julho.

Em comunicado, pede que o Facebook "tome medidas enérgicas para impedir que suas plataformas sejam usadas para dividir nossa nação, suprimir eleitores e atiçar as chamas do racismo e da violência".

As marcas de roupas esportivas The North Face, Rei e Patagonia foram as primeiras a anunciar adesão ao movimento. O site de empregos Upwork e a empresa de internet Mozilla também aderiram ao compromisso.

A The Norte Face já avisou que só voltará a anunciar nas redes sociais da empresa de Mark Zuckerberg quando "políticas mais rígidas forem adotadas para impedir que conteúdo racista, violento ou de ódio e desinformação circulem na plataforma".

O movimento foi formado pelos grupos 'ADL (Anti-Defamation League)', 'NAACP (National Association for the Advancement of Colored People)', 'Sleeping Giants', 'Color Of Change', 'Free Press' e 'Common Sense'.

Segundo os fundadores, o movimento é "uma resposta à longa história do Facebook de permitir que conteúdo racista, violento e falso seja disseminado em sua plataforma". A ideia é que a campanha pressione empresas a exigirem mais mecanismos de segurança na rede social.

Para movimento, Facebook é complacente com fake news

No início da semana passada, o movimento publicou um anúncio de página inteira no jornal "The Los Angeles Times", pedindo que as marcas não anunciassem na empresa de Mark Zuckerberg em julho. "Hoje, pedimos a todas as empresas que se solidarizem com nossos valores americanos, como liberdade, igualdade e justiça, e não anunciem nos serviços do Facebook em julho", dizia o texto.

O movimento afirma que o Facebook fatura US$ 70 bilhões em receita anual de publicidade enquanto "amplifica mensagens dos supremacistas brancos" e "permite incitar a violência".

Para Derrick Johnson, presidente da NAACP, o Facebook deixou de ser apenas negligente com a propagação de notícias falsas. "Está claro que o Facebook e seu CEO, Mark Zuckerberg, não são mais simplesmente negligentes, mas complacentes com a disseminação de informações falsas, apesar dos danos irreversíveis à nossa democracia", afirmou em comunicado.

"Há muito tempo, vimos como o Facebook permitiu que alguns dos piores elementos da sociedade entrassem em nossas casas e em nossas vidas. Quando esse ódio se espalha online, causa um tremendo dano e também passa a ser permitido que seja feito no mundo offline", declarou Jonathan Greenblatt, CEO da ADL.

Plataforma enviou comunicado a agências

Apesar de, por enquanto, a iniciativa ter adesão de pequenos anunciantes, o Facebook já se mostrou incomodado com o movimento. Segundo o site Business Insider, a empresa já enviou um comunicado a algumas agências de publicidade, afirmando que a empresa "estaria aberta a se reunir com as organizações" que lideram o movimento.

Segundo um dos e-mails, assinado por Carolyn Everson, vice-presidente de soluções de marketing global do Facebook, "o mais importante é remover o discurso de ódio e o conteúdo que prejudica as comunidades", além de ter "políticas mais fortes contra o discurso de ódio e as tecnologias mais avançadas do mundo para removê-los".

O Facebook gera 98% de sua receita por meio de anúncios. A companhia recebeu US$ 17,4 bilhões em publicidade no primeiro trimestre de 2020. O número de usuários ativos diários foi de 1,73 bilhão em março deste ano, 11% superior ao mesmo mês de 2019.

Rede social baniu anúncios de Donald Trump

Na sexta-feira passada (19), o Facebook anunciou ter excluído mais de 80 anúncios da campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por violação às regras contra o discurso de ódio.

Segundo a empresa, os posts, que faziam ataques ao movimento antifa (antifascista) e a grupos de extrema-esquerda, levavam um símbolo (um triângulo vermelho invertido) usado pelos nazistas para identificar prisioneiros políticos.

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