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Anistia Internacional acusa JBS de comprar gado ilegal; empresa nega

Empresa nega qualquer compra de fazendas envolvidas em irregularidades - Ueslei Marcelino
Empresa nega qualquer compra de fazendas envolvidas em irregularidades Imagem: Ueslei Marcelino

Patrick Mesquita

Do UOL, em São Paulo

15/07/2020 17h38

Um relatório de hoje da Anistia Internacional aponta que gado bovino criado de forma ilegal em áreas protegidas da floresta amazônica brasileira entrou na cadeia de fornecimento da JBS. A empresa nega a compra de animais de qualquer fazenda envolvida com irregularidades em áreas protegidas.

Segundo a publicação, a empresa falhou na adoção de um processo de monitoramento efetivo da entrada de gado na cadeia de fornecimento.

"Desde pelo menos 2009 a JBS tem conhecimento dos riscos de gado bovino criado ilegalmente em áreas protegidas entrar em sua cadeia de fornecimento. A JBS deixou de implementar um sistema de monitoramento efetivo em sua cadeia de fornecimento, inclusive de seus fornecedores indiretos. Ela precisa reparar os danos causados e imediatamente implementar sistemas para evitar que isso volte a ocorrer", disse Richard Pearshouse, diretor de Crises e Meio Ambiente da Anistia Internacional.

A Anistia Internacional destaca que não encontrou evidências de envolvimento direto da empresa em abusos de direitos humanos nos locais investigados, mas constatou que o gado criado ilegalmente entrou na cadeia de fornecimento. A JBS foi instada a implementar medidas efetivas até o fim deste ano.

Em comunicado enviado ao UOL, a JBS nega a compra de gado de qualquer fazenda envolvida com irregularidades em áreas protegidas. A empresa ainda enviou uma carta à Anistia Internacional dizendo que "auditorias independentes realizadas nos últimos seis anos revelam 99,9% de conformidade com esses padrões".

"Qualquer fazenda não compatível com as nossas políticas de fornecimento sustentável é bloqueada em nossa cadeia de suprimentos. Isso inclui a exclusão automática de qualquer propriedade envolvida no desmatamento de florestas nativas, invasão de áreas protegidas, como terras indígenas ou áreas de preservação ambiental, ou fazendas com áreas embargadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)", afirmou a empresa na nota.

Veja o posicionamento da JBS:

A JBS não compra gado de nenhuma fazenda envolvida com irregularidades em áreas protegidas.

Como descrito na carta à Anistia Internacional, em anexo, nosso sistema de geomonitoramento é um dos mais sofisticados do mundo, usando os melhores e mais recentes dados para reforçar nossa abordagem inequívoca de desmatamento zero.

Qualquer fazenda não compatível com as nossas políticas de fornecimento sustentável é bloqueada em nossa cadeia de suprimentos. Isso inclui a exclusão automática de qualquer propriedade envolvida no desmatamento de florestas nativas, invasão de áreas protegidas, como terras indígenas ou áreas de preservação ambiental, ou fazendas com áreas embargadas pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Auditorias independentes realizadas nos últimos seis anos revelam 99,9% de conformidade com esses padrões. Em 2019, 100% das compras diretas atenderam aos nossos critérios socioambientais. Os resultados dessas auditorias estão disponíveis no site da JBS.

Além disso, sempre estivemos na vanguarda das iniciativas da indústria para combater a lavagem de gado (uso ilegal de terceiros para fornecer gado a unidades de processamento) e aumentar a rastreabilidade direta do fornecedor para continuar a impulsionar positivamente mudanças estruturais na indústria de carne bovina da Amazônia.

Nós exortamos qualquer pessoa com informações a respeito de práticas no campo que não respeitem os princípios de sustentabilidade a relatar essa conduta às autoridades, para que as medidas cabíveis sejam tomadas.