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Maia descarta renovar auxílio emergencial na Câmara: 'Problema do governo'

Do UOL, em São Paulo

30/11/2020 16h10Atualizada em 30/11/2020 17h33

"Não deixem as coisas para o último dia do ano": este foi o alerta feito hoje ao governo federal pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que descartou renovar o estado de calamidade pública e o auxílio emergencial, ambos vigentes até 31 de dezembro. Antes, o deputado já havia cobrado uma posição "clara e objetiva" do Executivo com relação à pauta econômica.

"Não adianta chegar no último dia e querer pressionar, porque não vai funcionar", disse Maia em participação no UOL Entrevista. "Não adianta forçar a mão porque, na minha presidência, no dia 31 de dezembro não haverá, em nenhuma hipótese, prorrogação automática do estado de calamidade. Governo terá de trabalhar a partir de 2 de janeiro com as medidas provisórias."

Questionado pelo jornalista Tales Faria, colunista do UOL, sobre a prorrogação do auxílio emergencial, Maia disse que isso "é problema do governo, não da Câmara", que está "dando todos os instrumentos para [o governo] enfrentar este ano". "O que tinha para gastar de forma urgente, foi gasto", reforçou.

A chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Guerra, que simplifica os gastos do Executivo durante a pandemia da covid-19 e permite processos mais rápidos para compras, obras e contratações de pessoal e serviços, também não será renovada, acrescentou o presidente da Câmara. A partir de janeiro, o governo deverá respeitar a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e a regra de ouro.

"Essa pressão para prorrogar despesa vai fazer parecer um benefício fácil para os pobres, mas vai dar com uma mão e tirar com a outra", disse Maia, fazendo referência ao auxílio emergencial. "Parece custoso, desgastante, mas isso [respeito à LRF e à regra de ouro] é que vai dar condições para o setor privado investir no Brasil, como começou a investir nas últimas semanas".

Reforma tributária

Maia ainda voltou a se posicionar contra a criação de um imposto sobre transações digitais, nos moldes da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), e um tributo sobre grandes fortunas, mas se mostrou aberto a discutir a tributação progressiva, sobre heranças e sobre dividendos.

"Não vejo [tributação progressiva] como um problema ou uma agenda da esquerda, de forma nenhuma. O imposto sobre grandes fortunas é mais polêmico, mais difícil, países que adotaram já estão recuando. Mas os outros temas, como coloquei, sou a favor e tenho convergência com a ideia", completou o presidente da Câmara.