Indústria vê risco de desabastecimento de carnes se bloqueios seguirem
A indústria de carnes vê risco de desabastecimento nas gôndolas dos supermercados caso os bloqueios feitos por manifestantes bolsonaristas em rodovias federais do país sigam até sexta-feira, 4. O setor de produção de frangos deve ser o mais prejudicado.
Fontes ouvidas pelo UOL afirmam que o transporte de animais e grãos, usados na ração, está bastante comprometido em Santa Catarina e no Paraná - estados-chave na produção de carne de frango e suínos.
O Brasil abate atualmente, em média, 25 milhões de aves por dia e produz 1.700 ovos por segundo. São produzidas 13,8 milhões de toneladas por ano.
Segundo fontes da indústria, diferentemente da greve dos caminhoneiros de 2018, neste episódio não houve tempo hábil e nem aviso prévio para a indústria se preparar para minimizar os efeitos. Em 2018, por exemplo, fábricas e granjas estocaram grãos para alimentar os animais. Agora, há o risco de frangos e suínos ficarem sem alimentação porque o milho, usado como ração, está parado nas estradas. "A partir de amanhã os animais podem começar a ficar sem comida", disse uma fonte ao UOL.
Ainda segundo fontes, aproximadamente 45% da indústria de aves e suínos não trabalhou nesta quarta-feira, 2. Apesar de ser um feriado nacional, hoje seria um dia normal de trabalho nesta indústria. Muitas não funcionaram porque não foi possível entregar o frango para ser abatido.
São três gargalos que a indústria enfrenta atualmente com os bloqueios nas estradas:
- Transporte de ração para alimentar animais nas granjas
- Levar o animal para indústria para o abate
- Escoar a produção para ser distribuída e vendida
"Se você não tem como tirar o contêiner da fábrica para levar para o porto, é preciso parar. Não há muita capacidade de estoque nas fábricas, normalmente é para dois ou três dias", disse.
O Brasil é o maior exportador de carne de frango no mundo. Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), no ano, as exportações do setor totalizaram 3,666 milhões de toneladas, volume 5,8% superior ao acumulado entre janeiro e setembro de 2021, com 3,466 mil toneladas.
Na terça-feira, 1, o governo de Santa Catarina divulgou nota dizendo que a produção de suínos e aves no estado poderia sofrer prejuízos diários de até R$ 36 milhões com os bloqueios.
Também em nota, a ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) manifestou preocupação com a situação da produção e distribuição de alimentos em todo o país e disse contabilizar mais de 30 linhas de produção paradas ou com risco alto de paralisação nas próximas horas, caso a situação persista.
"Se os bloqueios forem mantidos, a partir de amanhã há risco de descarte de, no mínimo, 500 mil litros de leite por dia pelos principais fornecedores de apenas uma indústria associada - além da perda de milhares de produtos acabados", disse a associação.
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