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Quem é a Amaro, startup de roupas em recuperação por dívida milionária

Loja de roupas da Amaro, que pediu recuperação extrajudicial - Reprodução/redes sociais
Loja de roupas da Amaro, que pediu recuperação extrajudicial Imagem: Reprodução/redes sociais

Stephanie Tondo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/04/2023 04h00

A startup de moda Amaro entrou em recuperação extrajudicial com uma dívida de R$ 244,5 milhões. Conheça mais sobre a empresa.

Quem é a Amaro

É voltada para o digital. A Amaro foi fundada em 2012 como uma marca de vestuário focada nas vendas exclusivamente pelos canais digitais. Além das roupas de marca própria, ela também vende produtos de outras marcas. Recentemente, entrou no mercado de produtos infantis e para a casa.

Tem sócios suíços. Seus sócios são os empreendedores Dominique Oliver e Lodovico Brioschi, que atuavam anteriormente no mercado de investimentos. Idealizador do negócio e atual CEO, Oliver mora em São Paulo desde 2012.

Também tem lojas físicas. A empresa possui também 20 lojas, chamadas de "Guide Shops", em shoppings centers nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Ribeirão Preto. Esses espaços não têm caixas para o pagamento, e as compras são feitas pelos computadores ou tablets.

A Amaro emprega hoje 594 funcionários, além de gerar centenas de empregos indiretos. A informação é do documento de recuperação judicial.

Como ela ficou endividada

Buscou investimentos para melhorar o negócio. Em outubro de 2021, a Amaro contratou um banco de investimento para captar recursos para a empresa. Um termo de exclusividade foi assinado com esse fundo em fevereiro de 2022.

Contraiu dívidas com bancos. Nessa mesma época, a empresa contratou dois empréstimos com os bancos Itaú e Santander, para "manter o fôlego financeiro até o fechamento da rodada de investimento junto ao fundo", de acordo com o documento da recuperação judicial.

O fundo de investimento adiou entrada de recursos para o ano seguinte. O motivo foi a crise no mercado de tecnologia e financiamento de startups. A Amaro tentou então buscar novos investidores e renegociar as condições de pagamento das dívidas com os bancos Itaú e Santander, mas não teve sucesso.

Ficou sem dinheiro. Só em 2022, a empresa pagou cerca de R$ 24,5 milhões em juros, o que gerou "enorme pressão" sobre o caixa da empresa. Esses recursos, até então, estavam destinados ao pagamento de fornecedores e prestadores de serviços.

A Amaro alega que buscou cortar gastos. Ela diz que priorizou o pagamento de seus empregados e de despesas operacionais essenciais e dívidas financeiras, deixando de pagar fornecedores e prestadores de serviços. Sem receber, alguns desses fornecedores suspenderam seus serviços, afetando as atividades da empresa.

Concorrência com a Shein e Shopee prejudicaram a empresa. A Amaro diz que a queda nas vendas do varejo e a entrada de players asiáticas no mercado brasileiro, como a Shein e a Shopee, por exemplo, também a prejudicaram. A empresa também citou a alta da inflação e o reajuste dos contratos de aluguéis indexados pelo IGP-M, que deixou seus custos com as lojas mais alto.

O pedido de recuperação judicial

A Amaro pediu uma recuperação extrajudicial no dia 28 de março. O plano de recuperação foi aprovado por credores que representam um montante equivalente a R$ 101,8 milhões, ou seja, 41,63% do que é devido pela empresa. Diferentemente do processo de recuperação judicial, o extrajudicial é mais rápido e tem custo mais acessível. O acordo entre a empresa e seus credores.

Empresa quer manter a operação. Por meio de nota, a Amaro destacou que o plano vem em um momento de "juros extremamente altos e retração de crédito, especialmente para o varejo" e que tem como objetivo preservar sua liquidez e adequar a sua estrutura de capital para fortalecer a operação. "Além disso, visa a manutenção do relacionamento com fornecedores e parceiros", informou.

A Amaro tem hoje cerca de R$ 244,6 milhões em dívidas. Desse total, R$ 151,7 milhões são referentes a obrigações financeiras com instituições bancárias. E mais R$ 92,7 milhões são dívidas com fornecedores.