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Energisa vê distribuidoras da Eletrobras como desafio menor que compra do Grupo Rede

31/08/2018 13h58

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A aquisição das distribuidoras da Eletrobras que operam no Acre e em Rondônia será um desafio menor para a Energisa do que uma operação anterior envolvendo a compra de ativos do Grupo Rede, concluída em 2014, disseram executivos da elétrica em teleconferência sobre o negócio nesta sexta-feira.

Eles projetaram que a transação levará a alavancagem do grupo, medida pela relação entre dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), para 3,5 vezes, versus 3 vezes anteriormente, nível considerado "moderado" pela companhia.

Apesar de a Eletrobras ter vendido as distribuidoras por um preço simbólico de cerca de 50 mil reais, a Energisa atribuiu valor de quase 2,9 bilhões de reais às aquisições, uma vez que assumirá 1,22 bilhão em dívida líquida das empresas, além de 679 milhões em contingências e 961 milhões em contas em atraso.

O diretor-financeiro da Energisa, Mauricio Botelho, disse que os elevados passivos não são uma preocupação e que a companhia tem recursos em caixa para cumprir com uma obrigação prevista no leilão, que envolve um aporte de 238,8 milhões de reais na Eletroacre e um de 253,8 milhões na Ceron.

"Acho que a principal mensagem aqui é que... já enfrentamos situação similar no caso do Grupo Rede, então isso não é uma coisa que assuste", apontou.

A Energisa terá uma alta de 13 por cento na receita com as novas distribuidoras, se considerados dados de 2017 --de 12,2 bilhões de reais para 13,9 bilhões. As empresas também levarão a base de clientes do grupo de 6,7 milhões de unidades para 7,6 milhões.

A elétrica trabalhará em um primeiro momento para reduzir perdas de energia das empresas e melhorar a qualidade de suas operações, com o objetivo de atingir as metas definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para esses indicadores.

A companhia espera repetir a estratégia que adotou após comprar distribuidoras em dificuldade do Grupo Rede, que estava em recuperação judicial, uma operação que na época mais do que dobrou o faturamento da Energisa e adicionou a seu portfólio empresas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste.

"No Grupo Rede, em quatro anos nós colocamos todas as companhias nos níveis de qualidade e também nos níveis de perdas (exigidos pela Aneel), então é um caso razoável, que a gente entende aqui que consegue atingir, tanto no Acre quanto em Rondônia", afirmou Botelho.

Ele disse ainda que haverá um levantamento da base de ativos das companhias para a entrada com pedido de revisão tarifária extraordinária já em 2019, o que é permitido pelas regras definidas na licitação das elétricas.

PROJETO AJUDA

Os executivos da Energisa disseram que as propostas da empresa no leilão pelas distribuidoras da Eletrobras não levaram em conta a possibilidade de aprovação no Senado de um projeto de lei do governo que visava tornar as empresas mais atrativas para investidores.

O projeto era importante principalmente para a distribuidora da estatal no Amazonas, mas uma eventual aprovação pode gerar benefícios também para as operações do Acre e Rondônia.

"Se for aprovado, tem 'upsides', sim. Estamos acompanhando... mas não consideramos isso em termos de nossas propostas", disse Botelho após pergunta de um analista.

A Energisa ainda deverá pleitear benefícios fiscais da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para as distribuidoras no Acre e Rondônia, o que, combinado com créditos fiscais por prejuízos acumulados, tem potencial para deixar as concessionárias com "uma conta de impostos zerada" por um período de 10 anos, segundo Botelho.

(Por Luciano Costa)