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Adversários citam delação de Palocci e atacam tentativa do PT de voltar ao poder

01/10/2018 20h29

SÃO PAULO (Reuters) - Adversários do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, usaram nesta segunda-feira a divulgação de trechos da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci para atacar o PT e a tentativa do partido de voltar ao poder na eleição deste ano com a candidatura Haddad.

Em transmissão de vídeo feita ao vivo em sua conta no Facebook, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto, classificou a divulgação de "bomba atômica".

"É mais uma bomba atômica em cima desse partido que mergulhou o Brasil na mais absoluta corrupção", disparou Bolsonaro no vídeo, feito ao lado do filho Flávio, candidato a uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.

"Nós não aguentamos mais um ciclo de PT e PSDB. Será o fim do Brasil", disse.

Pelo Twitter, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, também mirou contra o PT após trechos da delação de Palocci terem o sigilo levantado.

"Que o PT quebrou o país para ganhar a eleição nós já sabíamos. A delação de Palocci revela que a trama criminosa para a perpetuação do partido no poder é muito pior do que se pensava. Eles não têm limites. É nosso dever trabalhar para impedir que voltem ao poder", escreveu Alckmin em sua conta no Twitter.

Na mesma rede social, Marina Silva (Rede) afirmou que a eleição presidencial de 2014, na qual foi derrotada ainda no primeiro turno quando era candidata pelo PSB, foi fraudada pela corrupção.

"Há quatro anos eu digo que a eleição de 2014 foi fraudada com dinheiro de corrupção. A delação de Palocci detalha como e por quanto. O partido responsável por essa tragédia ética, política e institucional agora está fazendo de tudo para voltar ao poder, sem nenhuma autocrítica", disparou Marina.

Na delação firmada com a Polícia Federal, Palocci afirma, entre outras coisas, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ordenou no início de 2010 que a Petrobras encomendasse a construção de 40 sondas e que recursos ilícitos arrecadados pela estatal fossem usados na campanha eleitoral de Dilma Rousseff naquele ano.

O sigilo de trechos da delação de Palocci foi retirado nesta segunda pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância em Curitiba. O primeiro turno da eleição acontece no próximo domingo. Palocci foi ministro da Fazenda no governo Lula e da Casa Civil na gestão Dilma.

Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que a conduta de Moro de levantar o sigilo de parte da delação de Palocci "apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula".

"Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (“de ofício”), depoimento prestado pelo sr. Antonio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais", disse a nota.

"Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena --2/3 com a possibilidade de “perdão judicial”-- e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias", complementa a defesa do ex-presidente.

Alckmin disputa a terceira posição nas pesquisas de intenção de voto com Ciro Gomes (PDT) e os dois estão à frente de Marina. O tucano e a candidata da Rede estão distantes de Haddad, que é o vice-líder na preferência do eleitorado, e de Jair Bolsonaro (PSL), que lidera a corrida presidencial.

(Por Eduardo Simões)

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